terça-feira, 29 de dezembro de 2015

HORA DA FAXINA VIRTUAL

Será que é necessário ter tantos "amigos", curtir tudo o que acha legal e seguir tanta gente nas redes sociais? Entenda por que isso pode prejudicar – e muito – sua vida pessoal

Que tal levar a sério as promessas para o novo ano e realizar grandes limpezas que influenciarão sua vida não só nos 365 dias seguintes ao Réveillon, mas bem depois deles? Obviamente você já leu matérias – inclusive aqui na Folha Universal – sobre selecionar as amizades e otimizar sua vida ao escolher companhias melhores e se ver livre de más influências de quem lhe quer mal ou nem lhe quer por perto.

Só que desta vez vamos falar de uma limpeza em um lugar que pouca gente costuma fazer: as redes sociais. Espantado? Então responda rápido, sem pensar muito: quantas pessoas você “segue” no Facebook, Instagram, Pinterest, Twitter, LinkedIn que realmente se importam com você? E aí vai mais uma: com quantas você se importa? Parece duro perguntar isso, não é mesmo? Mas, assim como a vida real precisa de “limpezas” de vez em quando, físicas ou psicológicas, a virtual também deve ser administrada e liberada das impurezas e excessos.

Acha isso um exagero? Bem, pesquisadores renomados de universidades de prestígio em vários países atestam que essa inundação de “amizades” virtuais prejudica mesmo sua vida.

Contudo, antes que venham reclamar comigo, os cientistas também dizem que o que influencia o resultado da interação pela internet não é a rede social em si, mas o uso que se faz dela. É óbvio que há coisas boas também. Um estudo recente da Universidade de Chicago mostrou que muita gente é mais capaz de resistir aos impulsos sexuais, de fumar, beber ou fazer compras do que aguentar ficar sem checar seu perfil no Facebook. Os pesquisadores também perceberam que o nível de intimidade do dono do perfil com seus seguidores tende a cair, tornando tudo mais superficial ainda.

Uma equipe de outra universidade norte-americana, a do Vale do Utah, detectou que quem passa muito tempo nas redes sociais tende a achar a vida alheia mais interessante do que a própria. É fácil entender. Segundo os estudiosos, as pessoas costumam colocar mais coisas boas em seus perfis e não evidenciam tanto as comuns e as tristes. Isso passa a impressão de que tudo é maravilhoso e que a vida “normal” de quem lê não parece lá essas coisas. É aquela velha história de “a grama do vizinho sempre parece mais verde”.

Calma que tem mais. Várias universidades italianas fizeram uma pesquisa em conjunto e notaram que os milhões de mensagens negativas e discursos de ódio compartilhados via redes sociais têm uma influência bem ruim em quem as lê, mesmo que as pessoas não concordem com elas. Isso porque essas ideias plantam uma semente de desconfiança e infelicidade no usuário, que tende a deixá-lo mais insensível e “para baixo”. O mesmo foi concluído por trabalhos parecidos das universidades do Michigan (Estados Unidos) e de Leuven (Bélgica).

Ainda não acabou. Um artigo publicado recentemente na revista The Atlantic, dos Estados Unidos, mostrou dados que atestam que o mau uso do Facebook e de outras redes não só torna as pessoas mais solitárias como impacta negativamente até a saúde física.

Por Marcelo Rangel / edição 1238 folha universal

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