segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

BULLYING: UMA TENTATIVA DE CONTER OS ABUSOS CONSTANTES

O bullying afeta milhares de crianças e adolescentes e pode provocar medo, tristeza e até depressão. Agora, uma nova lei pode ajudar a combater o problema

Xingar, bater, chutar, ignorar, excluir, humilhar, ameaçar e enviar mensagens de mau gosto na internet. Essas são algumas ações que podem ser caracterizadas como bullying. Todos os anos, esse tipo de abuso afeta milhares de crianças e adolescentes no Brasil e no mundo e pode deixar marcas por toda a vida. Tristeza, depressão e até suicídio são algumas consequências graves do bullying. Agora, uma lei sancionada no País promete ajudar a combater o problema.

O texto prevê que escolas, clubes e agremiações recreativas promovam medidas de conscientização, prevenção e combate aos abusos. O programa inclui a realização de campanhas educativas, além de orientação e assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores. Entre os objetivos está a capacitação de docentes e equipes pedagógicas. A Lei 13.185/2015 entra em vigor em cerca de três meses.

Resgate de valores
A psicóloga e escritora Maria Tereza Maldonado comemora a sanção da lei. “Essa lei vai conscientizar a equipe escolar, os alunos, as famílias e a sociedade sobre a importância de cultivar a rede de relacionamentos com base no respeito ao outro”, afirma.

Ela acrescenta que a nova lei ajudará a evitar problemas comuns no cotidiano da população. “A lei pode estimular a recuperação dos valores, da ética e da honestidade. Educar as gerações atuais pode prevenir problemas que acontecem no ambiente de trabalho e nas famílias, como assédio moral e injúrias”, opina a especialista, que é autora do livro A Face Oculta: Uma História de Bullying e Cyberbullying.

A lei afirma que a punição aos agressores deve ser evitada e que, em seu lugar, sejam aplicadas medidas alternativas que promovam a responsabilização dos agressores e a mudança do comportamento hostil.

Qual é a punição?
O advogado Fabricio Sicchierolli Posocco reconhece que a nova lei responde às necessidades atuais da sociedade. Entretanto, ele pondera que o texto tem algumas brechas.

Segundo a lei, o bullying é todo ato de “violência física ou psicológica, intencional e repetitivo, que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.

O advogado aconselha que as vítimas de bullying denunciem o ato. “É importante fazer um boletim de ocorrência e guardar as provas do bullying para depois entrar com uma ação na Justiça. Se o abuso for cometido na escola, a família deve protocolar documentos na secretaria da instituição e pedir providências. Denunciar o abuso também ajuda a evitar que ele se propague”, conclui.

Por Rê Campbell/edição 1236 Folha Universal

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