sábado, 14 de novembro de 2015

SINDICALISMO: PARA ALÉM DA LUTA ECONÔMICA CORPORATIVA

Muitos perguntam por qual motivo uma entidade sindical deve se preocupar tanto com a defesa dos direitos humanos e especialmente a cidadania de sujeitos sociais oprimidos em nossa sociedade.

A resposta é simples: há muito tempo percebemos que nos organizamos em todo o estado para desenvolver não só a nossa luta econômica corporativa, que é fundamental, mas para também atuar na transformação social. Para nós, a hegemonia da classe trabalhadora não pode vir somente pelo acesso a benefícios salariais, mas, sobretudo, através do desenvolvimento de mecanismos de superação das explorações alicerçadas no mundo do capitalismo, com a predominância do ideário neoliberal.

Entendemos que fazer movimento sindical é buscar ampliar os direitos dos trabalhadores, mas, ao mesmo tempo, atuar além e interferir nas discussões e decisões das grandes questões sociais e políticas. É por isso que hoje vamos às ruas lutar por servidores valorizados, ao passo que levantamos as bandeiras das mulheres, dos negros, das juventudes, da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), das pessoas com deficiência e da sustentabilidade.

É por isso que buscamos uma reforma política democrática, com o fim de restaurar, de fato, os valores da democracia representativa, adotando-se medidas que afastem o financiamento privado do processo eleitoral e garantam maior controle da população. É por isso que queremos democratizar as comunicações, com vistas a eliminar o monopólio econômico e ideológico da mídia e criar instrumentos com funções de avaliação, fiscalização, crítica, acompanhamento e contra argumentação na comunicação.

É por isso que lutamos também por justiça tributária, onde quem ganha mais pagaria mais impostos e quem ganha menos pagaria menos. Exemplo disto seria a taxação das grandes fortunas. É por isso que entramos em polêmicas como o enfrentamento às propostas de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, um verdadeiro ataque aos direitos conquistados no Estatuto da Criança e do Adolescente, que a Câmara dos Deputados trabalha para aprovar.

Portanto, em pleno aniversário de 25 anos da Fetamce, entendemos que é estratégico debater e lutar pela melhoria do mundo em que vivemos, pois só a mobilização popular poderá evitar a ampliação das desigualdades impostas à classe trabalhadora.

Por Enedina Soares Presidenta da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará

Fonte: O Povo: http://goo.gl/64KN9H

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