segunda-feira, 23 de novembro de 2015

QUAL A SUA RESPONSABILIDADE AO USAR A INTERNET?

A rede não é uma terra sem lei. Saiba o que fazer para denunciar ofensas e preconceitos

Racismo, pedofilia, pornografia, traições e preconceito. Se a internet chegou para facilitar a vida moderna, também potencializou atitudes negativas como essas. Isso porque a sensação de impunidade encontra o refúgio perfeito no anonimato: atrás de um computador é fácil compartilhar pensamentos preconceituosos ou até mesmo assediar uma criança, já que, aparentemente, ninguém está olhando.

No entanto, não é bem assim. A afirmação de que “a internet é uma terra sem lei” já não é mais verdadeira. Na época das eleições presidenciais em 2010, a estudante de Direito Mayara Petruso postou em sua conta no Twitter que “Nordestisto [sic] não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado”. Ela foi condenada em maio de 2012 a um ano, cinco meses e 15 dias de prisão por mensagem preconceituosa e incitação à violência contra os nordestinos. Sua pena foi convertida em prestação de serviço comunitário e multa.

O caso de Mayara serviu de alerta. Mesmo assim, os crimes na rede virtual continuam e se multiplicam. Recentemente, dois jogadores de futebol foram vítimas de racismo: o zagueiro Dante, do Wolfsburg, equipe alemã, foi acusado de “entregar” a Copa de 2014 para a Alemanha. Na época, ele jogava no Bayern de Munique. Em uma mensagem publicada na rede social Facebook, um usuário convoca outros a xingarem o jogador. “Vamos zoar o Twitter do Dante. Como ele não mora no Brasil, não dá nada não (nem se morasse)”. A partir daí, várias outras mensagens de cunho racista foram publicadas na página do atleta.

Michel Bastos, meia do São Paulo, foi chamado de macaco por um seguidor em sua conta no Instagram: “Macaco negro safado, respeita a torcida, otário vagabundo faz por merecer o dinheiro que recebe!!” O atleta respondeu: “Tenho que ficar quieto ainda???”

Não, não deve. Michel Bastos ou qualquer pessoa que receber mensagens preconceituosas não deve se calar. Existem canais de denúncia que investigam a origem das mensagens, mesmo que elas tenham sido publicadas anonimamente.

Para denunciar, entre no site da Polícia Federal (www.pf.gov.br/servicos/fale-conosco/denuncias)ou utilize o serviço gratuito da ONG Safernet (http://new.safernet.org.br/denuncie). Você pode acompanhar online o andamento de sua denúncia.
Por Amanda Aron / edição 1233 folha universal

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