quarta-feira, 18 de novembro de 2015

DESEMPREGO E TRABALHO INFANTIL SOBEM, DESIGUALDADE E ANALFABETISMO CAEM

Pesquisa mostra piora no mercado de trabalho e melhor resultado no índice de Gini. População é estimada em 203 milhões. Renda sobe, mas mostra distorções. Serviços de esgoto, água e luz crescem.

O desemprego cresceu em 2014, mas o país manteve tendência de redução da desigualdade, conforme apontam os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada no dia 13 pelo IBGE. A taxa média de desemprego subiu de 8,5%, no ano anterior, para 8,8%, embora esteja abaixo da registrada dez anos antes (11,7%). Já o índice de Gini do rendimento do trabalho, que mede a concentração de renda, caiu de 0,495, em 2013, para 0,490 – era de 0,545 em 2004. Para esse indicador, quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade. O índice varia, em 2014, de 0,442 (região Sul) a 0,501 (Nordeste). O Sudeste registrou aumento, de 0,475 para 0,478.

O número de desempregados foi estimado em 7,254 milhões, crescimento de 9,3% em relação ao ano anterior. A maior alta, de 15,8%, foi na região Sudeste, onde o total foi calculado em 3,349 milhões. No Nordeste, a alta foi de 5,2%, para 2,189 milhões. O Sul concentra 655 mil desempregados (aumento de 3,5%), o Norte tem 608 mil (4,4%) e o Centro-Oeste, 453 mil (0,9%). O desemprego cresceu pelo maior número de pessoas no mercado, já que o número de vagas também aumentou, embora em ritmo insuficiente para absorver a mão de obra.

Dos 98,621 milhões de ocupados (crescimento de 2,9% no ano), 45,3% estavam no setor de serviços e 39,5% eram empregados com carteira assinada. O total de contribuintes para a Previdência aumentou para 61,7% do total. Dez anos antes, eram 47,4%.

O rendimento médio mensal dos ocupados subiu 0,8% no ano, para R$ 1,774. Houve aumento no Sudeste (2,5%), Sul (1,4%) e Norte (1,1%) e queda no Nordeste (-2,6%) e no Centro-Oeste (-2,1%). As mulheres (R$ 1.480) recebiam 74,5% do rendimento dos homens (R$ 1.987), ante 73,5% em 2013.

Os dados da pesquisa mostram distorções entre os grupos: os 10% de menor rendimento mensal tiveram alta de 4,1%, para R$ 256, enquanto os 10% de maior rendimento registraram queda de 0,4%, para R$ 7.154. As pessoas com menor rendimento receberam 3,6% do valor obtido pelas que têm renda mais alta. Esse relação era ainda menor em 2013 (3,4%).

Trabalho infantil
A Pnad também detectou crescimento do trabalho infantil, o que ocorre pela primeira desde 2005. De 2013 para 2014, a população ocupada de 5 a 17 anos de idade aumentou 4,5%, para 3,331 milhões.

Ainda conforme a pesquisa, a taxa de analfabetismo de pessoas acima de 15 anos recuou de 8,5%, no ano anterior, para 8,3%, "mas ainda mostra distorções entre as regiões", observa o IBGE, variando de 4,4% (região Sul) para 16,6% (Nordeste). É de 4,6% no Sudeste, 6,5% no Centro-Oeste e 9% no Norte.

Os 8,3% correspondem a 13,2 milhões de pessoas. A taxa de analfabetismo sobre a 8,6% para os homens e cai a 7,9% para as mulheres.

A taxa de escolarização – indicador de pessoas que frequentam escolas – foi de 81,4% para 82,7% entre crianças de 4 a 5 anos, atingindo 98,5% no grupo que vai de 6 a 14 anos. O número médio de anos de estudo aumentou para 7,7 – 8 anos para mulheres e 7,5% para homens. E o número de estudantes acima de 4 anos atendidos pela rede pública de ensino recuou para 75,7% do total (eram 79,3% em 2007).

O instituto estimou a população brasileira em 203,2 milhões, 1,7 milhão a mais do que em 2013 (alta de 0,9%). Desse total, 85,3 milhões estavam no Sudeste. As pessoas com mais de 60 anos eram 13,7%, ante 13% no ano anterior. Outros 25% tinham de 40 a 59 anos e 23,3%, de 25 a 39 anos. O IBGE observa há alguns anos  aumento proporcional da população de faixas etárias mais elevadas e redução entre jovens.

Os que se declararam brancos foram 45,5%, para 45% de pardos, 8,6% de pretos e 0,9% de indígenas ou amarelos, conforme as classificações do IBGE. Desde 2007, diz o instituto, a população preta ou parda superou a branca.

Segundo a Pnad, o número de domicílios cresceu 2,9% em 2014, para 67 milhões, sendo 73,7% próprios, 18,5% alugados e 7,4%, cedidos. Na comparação com 2013, aumentou 0,6 ponto percentual o total de domicílios alugados e caiu também 0,6 o de próprios.

A proporção de domicílios com rede coletora de esgoto teve ligeira alta, de 63,4% para 63,5%, o correspondente a 1,2 milhão a mais, atingindo 42,6 milhões. "Apesar de contar com a menor proporção entre as grandes regiões, o Norte teve o principal crescimento no período, passando de 19,3% para 21,2%; já o Centro–Oeste teve variação negativa, de 48,1% para 46,5%. Os domicílios das regiões Sudeste e Sul permanecem com as maiores coberturas para esse serviço, 61,9% e 87,7%, respectivamente. No Nordeste essa proporção chegou a 41,1%", informa o IBGE.

Entre outros serviços, aumentou de 85% para 85,4% o número de domicílios com rede geral de abastecimento de água, de 89,4% para 89,8% os que dispunham de coleta de lixo e de 99,6% para 99,7% as residências com iluminação elétrica.

Para realizar a Pnad, o IBGE visitou 151 mil domicílios e entrevistou 363 mil pessoas.

Da Rede Brasil Atual

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