sábado, 10 de outubro de 2015

A LADAINHA DO "MENOS IMPOSTOS" E A CRETINICE DA ELITE E SEUS SEGUIDORES

As elites, além de sonegadoras de impostos, se utillizam do poder do Estado para aumentar seus lucros

O Brasil parece ser o país da "sem-vergonhice" mesmo. Nesses dias vi um outdoor do deputado candidato a anjo da honestidade, Kelps Lima, ex-auxiliar do tsunami que devastou Natal, Micarla de Sousa, e que, eleito deputado estadual, com o estranho apoio do PDMB, vive fazendo discursos da moralidade. Em breve talvez o deputado-monge-da-honestidade proponha que a Assembleia Legislativa feche suas portas e se instale em tendas.

O outdoor do deputado-vestal, reclamando do anunciado aumento dos impostos estaduais e com a bravata de uma foto com carinha feia e dizeres "sou contra" foi acompanhado por outros outdoor's, das corporações empresariais potiguares com uma campanha, hipócrita, é verdade, contra o aumento dos impostos. Sem falar dos pequenos dizeres espalhados nos carros da classe média, cheios de raivinha, com "não vou pagar a conta".

Essa ladainha contra os impostos vem desde o surgimento dos impostos, no limiar da civilização, pois nenhuma classe que detenha mais recursos quer perder esses recursos para um ente em que não está diretamente ligado aos interesses dela. Portanto nada de novo nesses queixumes.

Mas, sejamos francos, o empresariado e os vestais anti-impostos são, no mínimo, espertos e no limite, cretinos, com essa campanha. Quando o governo desonera impostos, como o governo federal fez entre 2010 e 2014, que resultou em MENOS R$ 100 bilhões no Caixa do governo, não se viu um aumento em igual proporção, no número de postos de trabalho ou sequer um incremento de melhorias que pudesse elevar a competitividade das indústrias nacionais.

O que se viu, de forma bem descarada, foi à elevação da margem de lucro e a reestruturação produtiva sim, mas para melhorar o custo unitário das empresas e o processo de fusão e centralização do Capital, fulminando as pequenas empresas. A "farra" da desoneração fiscal foi acolhida silenciosamente pela elite e por boa parte da classe média, que entulhou suas casas com equipamentos eletroeletrônicos. Tudo bem silencioso.

O modelo esgotou-se, por erro de previsão do governo, e isso é passível de crítica. E eis que partes da classe média se viram, coitados, "órfãos do consumo". Abandonados pela "malvada Dilma", não poderão trocar seus carros e suas quinquilharias eletrônicas, nem tomar mais vinhos estrangeiros com a volúpia de antes; nem ir torrar a moeda nacional no exterior, deixando negativa a Balança de Serviços e forçando o governo a compensar o déficit do Balanço de Pagamentos com captação de recursos via endividamento. Tadinho dos empresários.

Ao primeiro sinal de crise o que os empresários fizeram? Encolheram suas margens de lucro? Não. Encolheram os empregos e fazem as pilantragens de sempre, como aumentar o preço do combustível em cima de estoques antigos, garantindo pelo menos de 15 a 30 dias de ganhos gordos com a diferença de preços.

As atitudes de Kelps e dos empresários potiguares não são novidades. Nem o surto da classe média, sempre desejosa de consumir ad infinitum num sistema em que a instabilidade é o seu motor de acumulação.

O choque de realidade pegou a todos, mas o conceito de "realidade" varia de acordo com o grau de participação de cada segmento na apropriação da riqueza produzida pelos TRABALHADORES.

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