terça-feira, 11 de agosto de 2015

QUEM ASSESSORA DILMA?



Em meio a uma crise política e econômica, uma pergunta que deve ser feita é: quem são os “gênios” que estão assessorando a presidenta Dilma para que a mesma não consiga, como sempre, fazer a exata leitura do que acontece na política nacional em torno das disputas do seu governo?

Por professor Antônio Neves

Não são apenas as denúncias de corrupção na Petrobrás, os escândalos jurídico-midiáticos das prisões da cúpula petista, a impopularidade do PT, menos ainda a intenção, mais do que golpista da oposição fascista brasileira (PSDB, DEM, Globo) em destituir o mandato da presidenta Dilma...

Uma crise de identidade e de rumo governamental da própria presidenta, seu insistente distanciamento das bases populares que, mais uma vez lhe garantiu a reeleição, medidas econômicas impopulares e ajustes que retiram direitos dos trabalhadores, apesar do “nem que a vaca tussa” proclamada pela presidenta candidata nas eleições do ano passado, são ingredientes mais do que inflamados para se criar uma insatisfação popular, onde os donos do poder inconformados pelas derrotas da última década, oportunistamente tentam impor dificuldades para barrar o fluxo das reformas e mudanças que por décadas foram impedidas de serem realizadas, por esta mesma casta de dominadores do poder nacional que agora fazem coro ao discurso da moralidade pública, do combate à corrupção e da defesa de um governo ético; desde que seja de direita, neoliberal e antidemocrático.

Aproveitando-se da crise capitalista mundial que, pouco-a-pouco foi chegando ao Brasil e cobrando a conta aos trabalhadores, às eleições de 2014 já apontavam para o acirramento que as lutas de classes no país iriam ter que enfrentar e, com isso, exigia-se da mandatária da Nação maior firmeza na defesa da agenda desenvolvimentista e novas estratégias junto ao campo popular, além do controle das alianças que compõem o governo para não dá combustível a oposição que apostou nos erros cometidos para ganhar espaço e fortalecer o discurso do quanto pior melhor.

Mas Dilma preferiu o caminho inverso. Mal terminada as eleições passadas baixou seu pacote de ajuste fiscal impopular onde a classe trabalhadora ficou com a maior parte do débito para pagar a conta da crise, com isso, a presidenta perdeu popularidade e o diálogo com os setores populares da massa trabalhadora desgastou-se a ponto de a mesma amargar 71 % de rejeição nas pesquisas de opinião. Sem capitular, nem avaliar o desgaste desse confronto alimentado pela crise política promovida pela oposição de direita e seus aliados da grande mídia nacional: Globo, Band, Record, SBT, Veja, Folha de São Paulo, etc; Dilma e o PT pagam um preço alto pela anti-propaganda ideológica que atinge o coração do governo e contra o projeto desenvolvimentista de inclusão social em curso iniciado com Lula em 2002.

A presidenta Dilma vem errando sistematicamente, comporta-se como uma principiante que parece não está compreendendo o que está em disputa neste momento nas relações da política e do poder nacional. Ao invés de governar com o povo como prometerá na eleição, não demorou e deu uma guinada a direita, adotou a agenda neoliberal de austeridade do ministro Joaquim Levi, manteve-se afastada dos movimentos sociais e populares e se deixou fazer refém do PMDB e da pauta ultraconservadora do Congresso Nacional, um dos piores dos últimos 30 anos, aonde o presidente da Câmara dos Deputados, o golpista Eduardo Cunha (PMDB) vem promovendo o desmonte da nação e dos direitos civis e trabalhistas, incitando a discórdia nacional.

Algo está errado no Planalto, no governo e com Dilma. Não é possível que diante a tudo isto se permita uma passividade político-partidária onde se prefere apontar apenas para as tentativas de golpe que espreitam a presidenta e seu governo, sem fazer a autocrítica do que também está errado e tem servido de motivo para que a oportunista oposição de direita se utilize dos fatos reais e fictícios para confundir a vulnerável opinião popular que neste momento esquecem as conquistas sociais e somam-se ao coro do secular discurso do “Fora tudo e todos”.

Diante de tanta confusão planejada, imagino que os assessores de Dilma e da cúpula governista certamente não estudaram os capítulos da história do Brasil onde cenários não menos diferentes deste, apontavam para retrocessos na história da democracia e do poder da maioria: 1954 (Vargas); 1956 (Juscelino); 1964 (Jango)...

Ou os assessores e conselheiros da presidenta Dilma são uns gênios que se imaginam imunes às ofensivas da direita golpista nacional, ou perfeitos idiotas institucionais que não conseguem compreender o que está acontecendo a sua volta.

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