quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PAREI PRA VER A BANDA PASSAR


Banda Recreio caicoense é um dos patrimônios da nossa arte e cultura.


Desde criança sempre fui fascinado pelas apresentações da banda filarmônica “Recreio Caicoense” que se apresentava sempre aos domingos no parque infantil que existia ao lado da escola São Vicente de Paulo, onde estudei e que era administrada pelas irmãs de caridade do Abrigo Dispensário Professor Pedro Gurgel, no bairro Paraíba.

Na banda Recreio Caicoense eu podia ver tocar o meu vizinho Nicomedes (Seu Nico) pai de Nuremberg, um grande amigo de minha infância. Nesta banda também via outro vizinho Sr. Manoel Leocárdio que também alegrava nossos domingos juntos com outros talentos que davam nome e qualidade a referida banda.

Este ano, na festa de nossa Padroeira Sant’Ana parei pra ver a banda Recreio Caicoense passar depois de mais uma de suas muitas salvas e alvoradas tocadas durante a festa. Neste momento, fui reportado ao meu passado pueril onde assistia pela primeira vez a banda tocar. Ganhei o dia. Voltei feliz pra casa sem saber que, mais tarde, assistiria uma entrevista com o maestro Totó feita pelo radialista Marcos Dantas em que exporia as diversas dificuldades enfrentadas pela banda.

Ao assistir tal entrevista, senti-me decepcionado ao saber como aquele qualitativo grupo de músicos, que enche nossos corações com a boa música e alegria, foi e é tratado com pouco zelo e prioridade pelas gestões municipais passadas e pela atual gestão. Nosso maestro Totó revelou-nos que os últimos instrumentos adquiridos pelo município de Caicó datam há mais de vinte anos e que os músicos da Recreio Caicoense são quem compram seus próprios instrumentos.

Pior ainda é saber que o maestro tem um belo Projeto Musical voltado para nossas crianças e adolescentes e ainda não o implantou por total falta de condições e de apoio da gestão municipal atual a começar pela falta de uma sede digna para a banda, onde se possam desenvolver atividades musicais com conforto para incluir jovens e adolescentes no mundo da música.

No que pese o esforço da banda em se apresentar em vários eventos festivos e solenes de nossa cidade, por trás está a sobrevivência franciscana de uma tradição que teima resiste as dificuldades para não acabar, levando consigo nossa alegria e orgulho musical que enchem nossos olhos de brilho.

A Filarmônica Recreio Caicoense, assim como os demais setores artísticos de Caicó, precisa de maior atenção de nosso gestor municipal sob pena de seu desaparecimento como já ocorrera em tempos passados onde tivemos que nos socorrer da banda de música de São João do Sabugi por total inexistência de nossa banda local.

Parei pra ver a banda passar tocando coisas de amor, mas não pararemos pra ver a banda acabar por falta de incentivos, de valorização da boa música e de seus artistas por falta de um projeto que acolha a nossa “Furiosa” e que lhe dê sobrevida para continuar com dignidade, alegria e satisfação. O tempo nos convida para esta valorização em meio a tantas coisas desagradáveis que nos afrontam nos dias atuais de nossa cidade.

Por João Braz de Araújo
Professor e Advogado

Nenhum comentário:

Postar um comentário