terça-feira, 14 de julho de 2015

NILDSON DANTAS: E ELE AINDA QUER SER PREFEITO DE CAICÓ!


Na condição de presidente da Câmara, o vereador Nildson Dantas poderia ter usado seu poder de conciliação e liderança para encontrar uma solução inteligente para o conflito de classe que se criou em torno da aprovação, deformada, do Plano Municipal de Educação

Mais uma vez a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Caicó escreveu um capítulo lamentável na história deste Poder em nossa cidade. Diante da dificuldade que alguns parlamentares criaram em torno de pontos do Plano Municipal de Educação, promovendo verdadeira confusão de ideias e empobrecendo um debate que poderia ter contribuído para melhorar a imagem da Casa, quem mais demonstrou despreparo para conduzir da forma mais racional possível o entrave ocorrido, foi seu presidente, o vereador Nildson Dantas (foto).

Nildson foi eleito presidente da Câmara prometendo fazer da sua legislatura um espaço de debates e discussões em torno do interesse comum, intermediando conflitos e inibindo qualquer tentativa de fazer da Casa, ringue de interesses políticos pessoais deste ou daquele vereador, mas diante da complexidade que eles mesmos criaram em torno do debate sobre Gênero e diversidade sexual, o ilustre parlamentar corroborou com o despreparo e a ignorância história de muitos daqueles que se utilizaram da falta de informação sobre o tema, para atropelar até mesmo a Constituição Federal. Faltou discernimento; sobrou encenação.

O vereador Nildson Dantas na condição de presidente do Parlamento municipal perdeu grande oportunidade de mostrar que é muito mais que um político profissional e que está preparado para enfrentar outros desafios, colocando-se como conciliador, e não ficando refém de caprichos e interesses equivocados de outros Edis que, oportunistamente, para ganhar créditos na mídia e mostrar algum serviço (mesmo que inútil) coloca a Câmara numa situação vexaminosa ao trazer para o debate, matérias que eles mesmos demonstraram total desconhecimento. 

Sem convencer, Nildson tentou se safar da polêmica e com uma arrogância típica do Poder que representa preferiu alinhar-se aos factoides da tal “ideologia de gênero” criada por seus pares para desqualificar o Plano Municipal de Educação de Caicó, que eles sequer participaram da construção. Com isso, Nildson revelou completa ausência de autonomia de pensamento, menos ainda, independência para decidir pela razão, com a alteridade que o principal representante do Poder Legislativo local precisaria ter para garantir a manutenção de um debate livre e pautado nos verdadeiros objetivos a que se propôs a construção desta Lei. 

Não menos equivocado que seus colegas vereadores, Nildson também se revelou alguém confuso quanto ao seu papel de Presidente da Câmara, quando preferiu deixar-se sucumbir aos delírios dos argumentos criados para negar a laicidade do Estado constitucional brasileiro, ao invés de defender uma política de gênero como meio de promover a igualdade entre homens e mulheres e o acolhimento da pessoa humana em todas as suas formas de expressão e escolhas.

Agora, imagine vocês que Nildson Dantas pleiteia ser prefeito de Caicó, mas para isso, terá que aprender, rapidamente, que como chefe do poder executivo, ele vai precisar muito mais que a imagem de bom moço que gosta de acenar. O mesmo precisará se despir de todo o preconceito, machismo e autoritarismo que prefere conservar na sua personalidade política, para convencer o povo a lhe conceder o poder de governar, indiscriminadamente, os destinos de toda uma cidade, onde negros, mulheres, homossexuais, héteros, artistas, ateus, cristãos, espíritas, ideólogos da direita e da esquerda, apolíticos, pobres, brancos, ricos, desempregados, deficientes, crianças, jovens e idosos entre tantos, formam uma complexa diversidade de vida, cultura e sociedade que ele demonstra ainda não saber traduzir nem compreender muito bem. Talvez seja porque, não só ele, mas também alguns de seus pares, ainda enxerguem as relações de poder somente pela perspectiva do controle e domínio daquilo que eles imaginam serem donos.

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