segunda-feira, 6 de julho de 2015

INDÚSTRIA DA SECA REQUINTADA



Por Procópio Lucena

Cínicas e cômicas as atitudes de agentes políticos de poder: Depois de quatro anos de invernos irregulares e açudes sem recargas com grave crise e conflitos intensos para os múltiplos usos da água, os políticos copa do mundo chegam ao Seridó em seus carrões importados sem nenhuma solução e acreditando no quando pior melhor para garantir suas próximas eleições.  A Indústria da Seca que alimenta a corrupção e a politicagem se mantém com força e muito requintada. Com gente jovem que nunca viveu e nem conhecem o drama das secas, mas, sabe espertamente como tirar proveito dela. Afinal, aprenderam minuciosamente com seus familiares (que nunca saíram do poder) como se manterem na vida pública com a miséria do povo.

Depois de 04 anos eles não sabiam que os açudes do Seridó estavam quase todos secos. Que a seca chegou às cidades e que antes estava apenas na zona rural. Não sabiam que houve perda da safra e que os rebanhos estão sendo dizimados por falta de políticas públicas que eles mesmos são responsáveis e não agiram por que não lhes beneficiam diretamente. Não entendem que precisamos no semiárido de investimento público estruturante e permanente independente de seca ou inverno para estocar água de diversas formas, fazer reuso e uso racional, combater o desperdício, utilizar novos métodos de irrigação etc. Diante do descaso dos agentes públicos seremos obrigados a aprender com nossas próprias tragédias a lidar com a escassez de água.

Infelizmente fomos educados a achar que água é um bem da natureza infinito e que nunca ia faltar. Nesta crise que estamos passando surge à necessidade de novos comportamentos e atitudes de consumo, como também vem á tona a questão do planejamento e gestão dos órgãos públicos que diante do cenário de seca prevaricaram de suas funções e estão levando populações urbanas e rurais a um colapso hídrico generalizado.

O quadro é assustador e precisamos todos cuidar agora, pois, se em 2016 a chuva não for suficiente para fazer uma recarga dos reservatórios poderemos ver a falência total de nossas cidades e campo no Seridó. Todos sabem que sem a água não á vida, não há produção agrícola, criação de animais, indústria, serviços de saúde, educação, construções etc. Finalmente, que possamos tirar lições e repensar nosso modelo de vida em sociedade, que estão baseadas no consumo exagerado e na exploração ilimitadas dos bens comuns da natureza.

Eng. Agr. José Procópio de Lucena.
Articulador Estadual do Seapac/Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu.

Um comentário:

  1. Cadê que essa mundiça faz isso com o MST?

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