terça-feira, 14 de julho de 2015

CÂMARA MUNICIPAL DERRUBA VETO DO PREFEITO E DEFORMA PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO



Ignorância intelectual, desinformação, oportunismo e falta de conhecimento sobre a matéria levou vereadores a embarcarem no fundamentalismo estrutural que o Brasil vive hoje e adotaram o falso discurso moralista cristão, recheado de preconceitos proclamado em defesa da família, dos bons costumes e da sociedade... (?)

Sessão serviu apenas para reafirmar o que toda a cidade já sabe, este Poder não nos representa.

Por nove votos favoráveis e cinco contrários, nove vereadores que compõem a Câmara Municipal de Caicó derrubaram na tarde de segunda-feira (13), o veto do prefeito Roberto Germano a emenda supressiva que retirou expressões como “Gêneros e Diversidade Sexual” da redação original do Plano Municipal de Educação que foi discutido em plenárias e conferências, por vários meses pela sociedade civil, educadores, instituições e sindicatos, com a ausência (como não poderia deixar de ser) dos vereadores que compõem a legislatura atual, mas que se acharam no direito de, equivocadamente, impor um debate vazio, manipulado, sem base fundamentada dos conceitos e proposições que o projeto do Plano se propôs.

Nunca vi, durante todo o tempo em que acompanho a vida funcional dos trabalhos legislativos da Câmara Municipal de Caicó, um conjunto de vereadores tão desinformados, oportunistas e despreparados para debaterem assuntos desta natureza, talvez isso se dê pelo fato de nenhum deles terem se dado ao trabalho de ter participado ativamente das discussões que construíram o Plano municipal em Caicó, mas que, pela ausência e desconhecimento total daquilo que deveriam votar, preferiram embarcar num discurso fácil, demagógico, sem sustentação conceitual e tecnicamente confuso, sendo preferível usar, de forma farisaica e hipócrita, o nome de Deus em defesa daquilo que eles nunca defenderam antes.

Só me pergunto que família estes senhores e alguns religiosos estavam a defender, quando, erroneamente se posicionaram contra algo que se quer conheciam, já que muitos vivem falsamente uma moral cristã e quase sempre tratam a família como uma instituição a serviço do machismo e de uma cultura patriarcalista opressora, onde mulheres e filhos são tratados como pessoas que só devem obedecer e dizer: “sim, meu senhor”.

Talvez alguns desses vereadores devessem voltar a estudar para compreenderem melhor os mecanismos históricos e sociais que regem uma sociedade moderna tão complexa como a que vivemos hoje, e ao mesmo tempo procurassem conhecer na sua plenitude, o verdadeiro sentido do Evangelho cristão, pois o inferno sempre tem um lugar para acolher fariseus que usam o nome de Deus em vão.

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