quarta-feira, 29 de julho de 2015

HISTORIADOR MUIRAKITAN MACÊDO LANÇA LIVRO HOJE, EM CAICÓ



“Rústicos Cabedais: Patrimônio e cotidiano familiar nos sertões da pecuária (Seridó – Séc. XVIII)”, editado pela Flor do Sal e impresso pela Editora da UFRN

Foto: Eduardo Maia / NJ   

Contar a formação de um Seridó onde as casas dos ricos também eram feitas de taipa e até uma enxada inutilizada era listada em inventário. Terra de escravos quase livres e de uma religiosidade que ainda hoje permanece pungente. Essa é a intenção do historiador e professor Muirakytan Kennedy de Macêdo que vai lançar o livro hoje,
a partir das 19 horas na antiga prefeitura de Caicó ao lado da Igreja do Rosário.

A obra é resultado de uma releitura da tese de doutorado do autor caicoense, apresentada em 2007. “O Seridó é uma das regiões coloniais mais antigas do país. Com a proibição da pecuária nas áreas mais próximas ao litoral, por causa da cana de açúcar, ela se interiorizou. No livro, a gente começa a contar a formação do Seridó a partir da sedentarização da pecuária, no século 18, após a Guerra dos Bárbaros ”, explica.

O livro parte da formação das sesmarias – pedaços de terras cedidos aos colonos para que a cultivassem ou utilizassem na pecuária - até chegar ao cotidiano dos primeiros seridoenses. “Eu fiz um enquadramento na sesmaria e depois a gente vai fazendo como um ‘zoom’, em quadros cada vez menores. Partimos da sesmaria; dentro dela, vamos para a fazenda de gados, falamos o que é que se criava, os ovinos, bovinos, os cavalares. Depois vamos para dentro da casa daquelas pessoas, os cômodos e suas relações até de hierarquia, até chegarmos, enfim, às gentes – como eles falavam e seu cotidiano”, detalha Muirakytan.

Professor do curso de graduação em História, no campus da UFRN em Caicó e do mestrado da instituição em Natal, o autor trabalhou na pesquisa durante quatro anos e afirma que se surpreendeu com a quantidade de documentação preservada da época.

Além de arquivos da Torre do Tombo (arquivo geral do Reino), localizada em Portugal, o professor utilizou documentos cartoriais e da Igreja Católica Romana, como os livros de nascimento, casamentos e óbitos. “Todo o império era fundamentado na união entre Igreja e Estado. Até a República, quando isso mudou, o Estado não precisava de funcionários para fazer esse trabalho. A igreja registrava, nascimento, casamento, morte, todos os sacramentos, que eram muito importantes para o convívio social. Havia uma vigilância muito grande, representavam, de certa forma, a salvação das pessoas. Tinham que ter todos”, revela.

A abordagem utilizada por Macêdo é basicamente historiográfica e antropológica. Apesar de não utilizar personagens na trama histórica, nem focar em famílias importantes da região, o autor busca fazer um relato do cotidiano do primeiro Seridó. A realidade daqueles tempos, aponta, tem total relação com o Seridó de hoje. “É todo o princípio de identidade. A pecuária é a origem, por exemplo, de produtos que hoje são marcas da região”, avalia, citando o queijo e a carne de sol. O autor também utiliza gráficos, mapas e fotos para auxiliar no detalhamento das informações.

por  Igor Jácome-Do Novo Jornal

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