segunda-feira, 2 de março de 2015

GOVERNADOR ROBINSON ERRA E INDICAÇÕES PARA CARGOS EM CAICÓ DESGASTAM O GOVERNO

Por professor Antônio Neves

Com indicações políticas sem nenhum critério técnico ou discussões com os setores interessados da população, governador Robinson Farias banca desgaste antecipado para seu governo ao aceitar nomes de "aliados" para ocupação de cargos

Um fato que não pode ser negado é que a gestão do governador/RN Robinson Farias (foto) começou com um diferencial que merece destaque: ele aparece como único governador dos últimos 30 anos que mais teve liberdade para nomear seu secretariado e grupo de auxiliares sem maiores pressões nem atropelos por parte dos grupos políticos que o apoiaram ou lhe dão sustentação, isso porque a forma como se deu a sua eleição, lhe proporciona um trânsito mais leve na hora de governar como propôs, compondo um governo mais técnico do que político.

Mas quando o assunto é a nomeação de pessoas para ocupar cargos e funções nas repartições, autarquias e chefias de direções governamentais no interior, esta premissa não tem sido uma unanimidade nas escolhas do governador. Em muitos casos, tem prevalecido à troca de favores e a manutenção das velhas práticas do compadrio, provenientes de relações nada saudáveis para garantir o controle de certas figuras sobre espaços de poder que deveriam ser indicados e ocupados conforme condições adotadas pelo mesmo, mas contrariando seu próprio discurso, parece que a fórmula não tem servido para todos os casos ou indicações em algumas regiões do estado.

Em Caicó, uma das cidades politicamente mais expressivas do interior do Rio Grande do Norte, que deu de forma espontânea, significativa votação para sua eleição de governador, prevaleceu às relações do toma-lá-dá-cá, onde cargos importantes foram indicados sem que fossem observados os critérios tão rigorosos que o governante usou para indicar parte do seu secretariado: capacidade técnica, conhecimento de gestão, experiência, intimidade com os objetivos da pasta, representatividade, entre outros.

Espaços como o Centro Cultural Adjuto Dias, a Dired, Emater, IV Ursap e outros órgãos públicos foram a leilão político, condicionando os nomes indicados a uma simples relação politiqueira entre quem indicou e os interesses convencionais do governador, na lógica da reciprocidade a: “quem chegou primeiro para apoia-lo durante a campanha” - gol contra - pelo perfil dos indicados, nada a comemorar, os nomeados até agora tem servido apenas para criar atropelos para o governo, administram sem projetos nem gestão definida, se revelam meros marcadores de pauta, são indicações de pouco ou nenhum respaldo nos espaços sociais por não conseguirem dialogar de forma propositiva com os seguimentos que transitam ou deveriam estar representados nestes ambientes.

Diante o ato falho do governador, o que muitos dos agentes sociais, culturais, educacionais e a sociedade civil organizada desejam nada mais é que contribuir para a fomentação, promoção e execução de políticas públicas de cultura, educação, meio ambiente, saúde..., que estabeleçam o diferencial para o qual o próprio Robinson se propôs quando pregou e prometeu em praça pública as mudanças tão desejadas na forma de ouvir a população e governar. Nesse quesito o governador demonstra profunda ausência de sensibilidade estratégica e se permite ficar refém de interesses menores que priorizam somente indicadores de um dedo só.

Diante os impasses e discordâncias geradas pelos equívocos das indicações aceitas pelo governador Robinson para Caicó, fica claro que faltou ao mesmo aguçar o olhar político de quem deveria enxergar o interior não como peça de barganhas de cargos para privilegiar interesses políticos privados dos que se acham donos do pedaço (vereador, prefeito, deputado), adotando combatidas práticas de nomeações assentadas numa relação personalista, autoritária, com negativa aceitação no seio social que termina servindo apenas para determinadas figuras posarem como “lideranças” influentes e garantir, com isso, o controle eleitoreiro de espaços governamentais de interesse público que deveriam servir para fins mais nobres.

Se o governador se propôs a manter tão constrangedora relação com a população caicoense, priorizando seus fieis aliados de primeira hora, passando por cima do próprio discurso e promessas de campanha, loteando cargos e chefias governamentais, achando que com isso estaria saudando uma dívida eleitoral com seus apoiadores e “lideranças” locais, com que argumentos então ele pretende se justificar para saldar sua dívida política e social com o povo?

Com a palavra, o governador das mudanças!

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