terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

SAÚDE: CAICOENSE DESABAFA...

Por Vanessa Kelly Alves da Silva, caicoense, farmacêutica

“Quantos metros quadrados vale um rim, um braço, dois litros de sangue?”

Chamo-me Vanessa Kelly Alves da Silva, caicoense, farmacêutica, funcionária pública e humana, no sentido mais condizente da palavra. Essas duas “características” citadas por último são o que me levam a escrever essas poucas linhas e expressar, através delas, minha revolta e desconforto. Sou servidora do Estado do RN, lotada na Unidade Hospitalar Regional do Seridó (Hospital do SESP), desde 2009. No decorrer desses anos, passamos por mudança de gestão, momento em que o Hospital deixou de ser gerido pela Associação dos Municípios do Seridó e foi entregue ao Governo do Estado.

Em vez de a situação melhorar, observo que só veio a piorar. Chegamos ao ponto de perder inúmeros profissionais competentíssimos que, de uma maneira geral, pediram exoneração por priorizar sua saúde mental, visto que o tormento e angustia tomam conta de todos que fazem parte do quadro de funcionários (pelo menos, os “humanos”). Temos que conviver diariamente com as faltas de insumos básicos e de estrutura adequada que se generaliza por todos os setores da unidade. Isso se fosse a qualquer outro ambiente de trabalho, seria considerado bastante incomodo, imagine em se tratando de um Hospital.

Imagine contar “vidas” e ainda ter que escutar o velho ditado: “morreu porque chegou o dia”. Não consigo me conformar com essa ignorância… Morreu por falta de assistência (aqui não falo do profissional, muitas vezes, esse são vítimas)!! A população precisa se manifestar. Infelizmente a situação “Saúde” em Caicó é bastante precária. Seja pobre ou rico, branco ou preto, católico ou ateu. Todos nós estamos sujeitos aos serviços do Regional.

E no meio desse triste contexto, estamos na iminência de perdermos 5 Milhões de reais do Banco Mundial. Parece piada de mau gosto, mas é a pura verdade. Temos um prazo muito curto para definitivamente regularizar a questão do terreno no qual o hospital foi construído e que pertence ao clube Corinthians de Caicó. Se isso não acontecer, só vai nos restar lamentar… Que nesse caso não será pelo “leite derramado” e sim pelas “vidas perdidas”. Aos dirigentes e sócios do clube pergunto: por quanto podemos mensurar a vida de um familiar ou amigo seu? E em terra, quantos metros quadrados vale um rim, um braço, dois litros de sangue? Para mim, é algo imensurável!

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