sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

VIAS RESPIRATÓRIAS EXIGEM CUIDADOS REDOBRADOS NO VERÃO; SAIBA QUAIS

O nariz aquece, umidifica e filtra o ar. A poluição, o clima seco e as altas temperaturas, quando somadas, formam uma equação perfeita para o aumento do índice de infecções respiratórias e pneumonias. Os cuidados com a saúde no verão não se limitam ao uso de protetor solar e ingestão frequente de líquidos.

Os portadores de doenças crônicas devem ter cuidado especial. As crises de asma, por exemplo, com a diminuição das infecções virais, são provocadas por outros fatores, como as variações de temperatura, odores fortes, pólen, fungos, ácaros, e até o pelo de animais. Sinusite, faringite, amidalite podem ser algumas das consequências das variações climáticas. “O tempo seco e a baixa umidade relativa do ar permitem que os poluentes permaneçam mais tempo em suspensão no ar, um fator aditivo que afeta o nosso sistema imunológico e contribui para causar desconforto respiratório na população em geral”, conta o otorrinolaringologista da Hapvida, João Paulo Lins Tenório.

Um herói que também pode ser um vilão é o descongestionante nasal. “Sinto falta de ar durante o dia. Com o ar seco, sinto que aumenta a minha frequência respiratória, que parece insuficiente”, conta o fisioterapeuta Wendell Pitta, que sofre de bronquite e rinite e não sai de casa sem o remédio. “A respiração piora ainda mais quando passo muito tempo no ar condicionado. Com o calor, não consigo dormir sem, então quando vou deitar, sempre uso algum tipo de pano para cobrir o nariz e evitar consequências piores ao acordar.”

“Muitas vezes a causa do problema é o próprio remédio, pois o descongestionante é apenas uma solução temporária e provoca efeito rebote. Ou seja, o problema vai, mas volta em seguida. Existe até uma rinite específica que é chamada de rinite medicamentosa. Além disso, o seu uso em excesso provoca taquicardia e pressão alta.” alerta João Paulo. “Ao utilizar o remédio, pingue apenas de um lado, até que o outro se normalize; só então passe para a outra mucosa”.

O ar-condicionado, aliás, preocupa porque passa a ser utilizado continuamente devido ao aumento das temperaturas. Ele deixa as vias aéreas mais vulneráveis, pois resseca o muco protetor. Além disso, se o aparelho não for higienizado adequadamente, favorece a proliferação de ácaros, fungos, mofo e bactérias que se acumulam nos ductos do aparelho e se proliferam no ar. Eles podem invadir as vias aéreas criando lesões inflamatórias/infecciosas, como as pneumonias ou alergias.

Quando o nariz está entupido, respiramos pela boca, que não possui as mesmas armas de filtro do ar que o nariz apresenta. Isso provocará um ressecamento da mucosa oral, podendo aumentar o mau hálito e expor o corpo a um quadro maior de infecções e inflamações, como amidalite e faringite. Ademais, o especialista conta que a obstrução nasal pode levar a um aumento da pressão nos seios da face, ocasionando dores de cabeça e desconforto na região dos olhos, o que prejudica as funções cognitivas e gera estresse.

“O ouvido se comunica com o nariz através da tuba auditiva,” explica o médico. Se o nariz estiver inflamado ou cheio de secreção – comum em pessoas que possuem rinite -, pode atingir a tuba auditiva e levar o acúmulo de muco, repleto de partículas retidas no ar, até o ouvido. “Isso pode provocar infecções e inflamações, como a otite.”

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