sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

NUMA GUINADA À ESQUERDA, NO 1º DIA DE GOVERNO, SYRIZA PRIORIZA REVISÃO DA DÍVIDA E ANULA LEIS E PRIVATIZAÇÕES

Funcionários públicos demitidos serão recontratados e salário mínimo terá aumento; na política externa, Grécia criticou novas sanções da UE à Rússia
Do OperaMundi

No primeiro dia de governo, o Syriza, partido de esquerda que venceu as eleições do último domingo na Grécia, começa a responder às expectativas e promessas feitas durante a campanha eleitoral. A prioridade anunciada nesta quarta-feira (28/01) pela nova gestão foi a suspensão dos processos de privatização dos setores de energia, aviação e portos, além do o cancelamento de leis impostas pela troika em troca do resgate financeiro ao país, como a demissão de funcionários públicos.

A marca do novo gabinete nomeado ontem pelo premiê Alexis Tsipras é a forte relação dos ministros com o desenvolvimento de políticas para fortalecer a economia e as finanças do país. Alguns setores criticaram, no entanto, o fato de um partido de esquerda não ter nomeado nenhuma mulher entre os dez ministros.

Durante seu primeiro Conselho de Ministros, Tsipras reafirmou que uma das prioridades do novo governo de "salvação social" será "a renegociação da dívida grega com os sócios", até se alcançar uma solução para o "benefício de todos".

Ele disse ainda que a "Grécia está pronta para contribuir para uma solução para toda Europa" e que o governo do Syriza deverá "acabar com o clientelismo político e a corrupção", além de aplicar as "reformas que não puderam ser feitas durante 40 anos".

Fim das privatizações

O ministro de Reconstrução Produtiva, Meio Ambiente e Energia, Panayiotis Lafazanis anunciou hoje que o governo cancelará, de forma progressiva, todas as leis aprovadas pelos membros da troika de credores (formada pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional). Em especial, será interrompido o processo de privatização de empresas estratégicas que estavam em andamento pela gestão anterior — a DEH (Empresa Pública de Energia), do qual o Estado grego ainda é o acionista majoritário, é delas. Agora, o sistema de fornecimento de energia elétrica "funcionará com critérios não lucrativos", apontou o ministro.

Da mesma forma, o porto do Pireu, o maior da Grécia, também terá o processo de privatização suspensa, como afirmou o vice-ministro, Thodoris Dritsas. O governo anterior pretendia vender 67% da Autoridade Portuária do Pireu ao Grupo Cosco (chinês).

As demais redes de infraestrutura, como aeroportos, também permanecerão nas mãos do governo, afirmou o ministro adjunto para a Infraestrutura, Christos Spirtzis. Estava prevista a privatização de 14 aeroportos regionais e a venda de milhares de hectares do antigo aeroporto de Atenas.

Fim da austeridade

O fim das medidas de austeridade, que também aparecia como uma das maiores promessas de campanha do Syriza, começa a sair do papel. Na Grécia, esta política fiscal rígida significou aumento dos impostos para a população e corte nas políticas sociais.

O ministro do Trabalho, Panos Skurletis, anunciou que o governo irá "restabelecer o salário mínimo e o décimo terceiro das pensões mais baixas".

Durante a campanha, o partido prometeu restaurar o salário mínimo para 751 euros brutos, que hoje está em 586 euros. "Além disso, restabeleceremos as negociações entre sindicatos e os patrões", disse Skurletis.

Quanto aos funcionários públicos que perderam o emprego “por decisões inconstitucionais”, tal como definiu a Suprema Corte grega, terão seus cargos de volta. É o que garantiu o ministro do Interior e de Reconstrução Administrativa da Grécia, Nikos Vutsis.

Vutsis afirmou que a exigência da troika de demitir funcionários para que fosse alcançado um superávit primário "foi injusta e gerou um clima de insegurança entre todos os trabalhadores". Eles protestam há meses em um acampamento improvisado em frente ao Ministério das Finanças.

"Não é possível continuar pagando, cinco anos depois da catástrofe que sofremos, com esta dívida insustentável. Tomaremos todas as medidas necessárias e fecharemos os acordos necessários para reduzir os pagamentos da dívida e conseguir um prazo (de devolução) mais longo que permita que o país fique de pé", disse.

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