quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

NO DIA NACIONAL DE LUTAS CENTRAIS SINDICAIS PROMOVEM ATO PÚBLICO EM NATAL CONTRA CORTES DO GOVERNO DILMA

"A vaca tossiu e nós vamos para as ruas", diz presidente da CUT/RN

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Por Marcelo Lima

Líderes sindicais estarão reunidos no cruzamento da rua João Pessoa com a avenida Princesa Isabel, no centro da cidade, para protestar contra as limitações de direitos promovidas no penúltimo dia do primeiro governo da presidente Dilma Rousseff. Curiosamente, muitas das centrais sindicais envolvidas na manifestação de hoje apoiaram a candidatura do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições de 2014.

Para a chefe do Executivo Federal, as medidas são “ajustes necessários para a nova realidade social do país”. Mas os sindicalistas discordam. “Ela já deu uma punhalada na classe trabalhadora antes de assumir”, acentuou Moacir Soares, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) no Rio Grande do Norte.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado, José Rodrigues Sobrinho, disse que “a vaca tossiu e nós vamos para as ruas”. A declaração é uma resposta à frase da então candidata à re-eleição Dilma Rousseff ainda no primeiro turno. A petista queria fazer frente ao discurso de Marina Silva (PSB) que prometia flexibilização da legislação trabalhista.

O protesto em nível nacional servirá para pressionar o Congresso Nacional a não aprovar as Medidas Provisórias 664 e 665 editadas pelo governo Federal. “Elas ferem vários direitos históricos dos trabalhadores conquistados a duras penas”, classificou Moarcir Soares. O governo Federal promoveu mudanças no auxílio doença, auxílio defeso, pensão por morte, abono salarial, auxílio reclusão e o tempo de carência para a concessão do seguro desemprego.

Na ótica do presidente da CTB, a manifestação está sendo feita no momento político adequado. “Vamos mostrar para o novo congresso nacional, que toma posse próximo domingo, que a sociedade brasileira está insatisfeita. É um alerta aos novos parlamentares”, disse Soares.

Uma das justificativas do governo Federal para fazer mudança na concessão do seguro desemprego, por exemplo, é a grande quantidade de benefícios, mesmo com uma taxa de trabalhadores sem emprego formal (6,8%) muito próximo do nível considerado ótimo (5%). O auxílio defeso também é outro alvo frequente de denúncias de concessões irregulares.

O líder da CTB potiguar reconhece que pode haver esse tipo de fraude, mas as medidas corretivas deveriam ser outras. “Num país gigante como o Brasil, pode ser que alguém esteja usando de forma incorreta esses benefícios. Isso tem que ser corrigido, mas não mexendo na essência do benefício”, analisou.

Outro argumento para a mudança é a necessidade de equilíbrio das contas públicas especialmente neste ano. Mas isso também não convenceu os sindicalistas. “Devem ser feitos ajustes para melhorar, não para piorar. Se tem algum ajuste para ser feito, não é a classe trabalhadora que tem que pagar”, completou.

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