segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

LIVRO SOBRE GUERRILHA DO ARAGUAIA MESCLA REPORTAGEM E MEMÓRIA

Episódio ignorado à época, devido à censura durante a ditadura militar, a Guerrilha do Araguaia vem se tornando objeto de bibliografia cada vez mais extensa. Araguaia – Histórias de Amor e de Guerra, do jornalista Carlos Amorim, é o sexto livro sobre a luta armada no interior do país, sem contar as obras de circulação regional e as biografias de participantes.

Por Oscar Pilagallo*


O autor também demonstra competência no trato das fontes, ao descartar, por inconfiáveis, livros produzido por militares e civis identificados com o ideário do golpe de 1964. O autor também demonstra competência no trato das fontes, ao descartar, por inconfiáveis, livros produzido por militares e civis identificados com o ideário do golpe de 1964.  Organizada pelo Partido Comunista do Brasil, a ousada e ingênua guerrilha pretendia derrubar a ditadura e instalar o socialismo de viés maoísta. Essa história foi contada pela primeira vez nos livros de Palmério Dória e Fernando Portela, publicados no final dos anos 1970, depois de a guerrilha ter sido exterminada por uma expedição do Exército.

Nos últimos anos, outras três obras esclareceram detalhes de uma história ainda não de todo conhecida. Em 2005, Taís Morais e Eumano Silva divulgaram documentos secretos do Exército, tarefa completada no ano seguinte por Hugo Studart. Em 2012, Leonencio Nossa expôs o arquivo pessoal do major Curió, o homem que personificou a política de extermínio dos guerrilheiros.

Beneficiando-se desses trabalhos, Amorim privilegia a visão do conjunto, algo que os outros autores sacrificaram para poder abrir mais espaço para a investigação. A guerrilha é apresentada no contexto político, ideológico e cultural da época. A boa iniciativa, porém, fica ameaçada quando, com frequência, um amplo painel do mundo dos anos 1960 e 70 disputa o foco narrativo com a guerra na selva. O Araguaia de Amorim é um livro híbrido. Tem reportagem, memória, autobiografia, análise, digressões, até sugestão de trilha sonora, tudo embalado em uma prosa em primeira pessoa vazada num estilo esparramado.

*É jornalista e autor de História da Imprensa Paulista e A História do Brasil no Século 20
Fonte: Observatório da Imprensa

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