sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

E AGORA ROBSON, O QUÊ VOCÊ FARIA?

Eleito no vazio das últimas eleições para governar um dos mais podres e atrasados estados do Nordeste, Robson Farias(PSD) optou por um governo de tecnocratas, que pouco entendem de políticas sociais, menos ainda conseguem elaborar um discurso articulado em torno dos principais problemas que se acumularam no estado pela inércia dos últimos governos.

Qualquer avaliação neste momento sobre o que poderá vir a ser o governo de Robson Farias seria precipitar as conjecturas sobre as intenções que levam o atual governador a buscar dar soluções ao quadro caótico que encontrou o Estado potiguar, onde ele foi deputado estadual por várias legislaturas, presidente da Assembleia Legislativa e Vice-governador da última gestão, diante disso, dizer que não conhecia o quadro administrativo, econômico e social que recebeu é mera formalidade de quem, talvez, fez da política por todo esse tempo um rosário de conveniências pessoais.

No Rio Grande do Norte que Robson Faria prometeu mudar, a educação e a escola públicas figuram entre os piores IDEBs do país, a infraestrutura dos hospitais públicos e o atendimento médico-hospitalar se tronaram o câncer da saúde pública, a falta de investimentos no setor produtivo, no turismo e na geração de emprego e renda leva o estado ao caos do subdesenvolvimento social agravado pela violência urbana que atingiu índices alarmantes da capital ao interior, acrescentando a tudo isto, a situação calamitosa da seca que se prolonga há quatro anos onde a falta de água para consumo humano e animal já é fato agravante em vários municípios do interior do estado e, pela sentida ausência de um plano de ação emergencial que nunca existiu nem existe ainda o quadro aumentará, e muito, as tensões sociais nos próximos meses.

Diante este cenário, a cada declaração do governador dada à imprensa local fica claro sua inexperiência administrativa e mais ainda, a falta de um projeto de ações articuladas com todos os canais administrativos de sua gestão. Apesar de ter feito uma campanha eleitoral pautada em propostas, uma vez empossado e montado seu secretariado, o que fica claro é que, como sempre, tais propostas eram pura retórica, sem clareza nem caminhos objetivos a seguir e isso revela o perfil de um governo que começa confuso, porém, centralizado sob um modelo administrativo gerencial de pouca dinâmica funcional, sem novidades nem planejamento socioeconômico.

Um claro exemplo da falta de planejamento administrativo no início do seu governo tem sido as justificativas de suas primeiras ações no âmbito da segurança pública, espaço onde reina uma visão conservadora de como um gestor vindo das elites encara o problema da violência e do combate às suas fontes geradoras, como as drogas, por exemplo. A depender da retórica do governador, a violência e a segurança pública continuará sendo um caso meramente de polícia nas ruas, aumentando a repressão policial e o seu arsenal bélico. Obviamente, a polícia como braço armado do Estado tem seu papel a cumprir na difícil tarefa da vigilância, prevenção e combate a violência, porém, medidas isoladas nesta zona de ação já demonstraram o quão é equivocada uma política de segurança alimentada pela lógica do bandido bom é bandido morto, enquanto o principio ativo de suas causas continua florescendo como erva daninha por todos os espaços sociais.

O governador Robson, como um menino que cumpriu suas primeiras promessas de bom escoteiro, deu declarações orgulhosas à imprensa por ter colocado nos primeiros dias de governo, 300 policiais nas ruas de um bairro comercial da capital, uma medida mais paliativa e propagandista do que solução concreta para um problema que é bem maior que o orgulho do novo gestor. No interior onde o crime organizado tem se apresentado mais agressivo e as políticas públicas no campo social, educacional e cultural tem se tornado cada dia mais distantes, o crescimento das múltiplas violências em todos os recantos da maior a menor cidade interiorana demonstram que o caos social não é um caso meramente de polícia, mas de gestão articulada, investimento diversificado e governo forte, coisa que há anos não se ver por aqui.

Quem sabe o governador Robson Farias, como bom escoteiro, consegue! 

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