sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

CAICÓ: O CARNAVAL, A SECA E O CORINTIANS

Juntos e misturados estes três elementos contribuem para tirar do foco, os verdadeiros problemas que sacodem a nossa cidade

No Brasil, como bem diz o poeta, “o ano só começa depois do carnaval”; assim, entre janeiro e fevereiro temos o período da alegria que só findará lá pelo início das águas de março ai, com o rei deposto estaremos disponíveis para encarar a seca, mesmo que chova e festejar o desempenho do time Corintians de Caicó no pífio campeonato estadual do Rio Grande do Norte; certo? Nem tanto!

O carnaval é uma realidade da cultura brasileira onde o povo, com dinheiro ou sem dinheiro, brinca e se diverte, esquece as mágoas, ri da própria desgraça (seja ela qual for) e depois, volta à vida normal. Só que no sertão, a vida normal é a seca, reação da natureza que nos obriga desde que nascemos a uma convivência de limitações. Quando não falta chuva e sem ela a água, falta Óleo de Peroba pra passar na cara dos governantes do passado e do presente que tratam este problema com paliativos e ignoram seus desdobramentos na vida de cada cidadão.

A seca tá ai, e nunca deixará de está. As águas nos reservatórios estão diminuindo, não apenas porque as chuvas não vieram nos últimos anos, mas porque há quem pense que ela é infinita. Contudo, haverá carnaval, o povo, por um momento, esquecerá a seca e se banhará de cerveja, cachaça, suor e dos prazeres que estes cinco dias proporcionam, depois voltamos à realidade e procuraremos saber o que os governos municipais, estadual e federal vão fazer por nós, porque até então choram apenas lágrimas de gelo seco e planejam ações de redemoinhos.

Em meio a tantas compreensões desfocadas da realidade, quem fará soar as trombetas da quarta-feira de cinzas e anunciará o obvio? Entre a seca, o carnaval e a campanha do Coríntians, a cidade padecerá sob a ressaca dos seus conflitos sociais ao perceber sua incapacidade de se indignar diante o abandono que lhes é imposta o ano inteiro por ações de desenganos de quem manipula e não pula o carnaval. Em campo, a política que intermedia este plantel de ilusões.

No meio do sol quente, carrasco da seca que estupora as águas do nosso açude Itans, o time de futebol da cidade, o Atlético Clube Corintians mendiga por todos os cantos e esquinas do estado condições financeiras e materiais para mais uma vez mostrar que não representa projeto nenhum, a não ser aqueles que nascem dos interesses de seus dirigentes, personas de pouquíssima competência futebolista que faz o time render mais politicamente do que esportivamente. É o apito disfarçado de um jogo de poder que dribla o povo no meio de campo com jogadas confusas em uma cidade que precisa virar o placar em desfavor dos manda-chuva da cidade.

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