sábado, 4 de outubro de 2014

REFLEXÕES PARA ALÉM DO VAZIO DA NOVA POLÍTICA

As mudanças conceituadas pela nova política não se constroem com frases feitas, discursos ensaiados ou promessas vagas. O novo na política deve ser um processo de ruptura com tudo o que está velho e desgastado

Por Antônio Neves

Nestas eleições, o discurso da mudança adotado través de uma NOVA POLÍTICA tem sido pano de fundo e repertório para muitos candidatos e candidatas, o que deixa parte do eleitorado empolgada com o discurso da mudança. Porém, o que ficou claro é que a mudança prometida pelos adeptos dessa nova ordem não se apoia em nada de novo, se sustenta nas velhas práticas e formulações do passado que as legítimas mudanças reivindicadas têm buscado transformar.

Qualquer objeto proposto para se aplicar essa NOVA POLÍTICA só convencerá se for pronunciado com a firmeza do compromisso da luta que se enfrenta todos os dias, sem marketing nem maquiagem, senão, será apenas pura retórica de um pragmatismo eleitoral que não convence mais.

No protagonismo das eleições de 2014, a NOVA POLÍTICA já nasce envelhecida pelas suas próprias contradições, o que a torna um anti-instrumento de mobilização social e de participação popular consciente, exatamente porque nega seus elementos essenciais de sustentação: partidos, organizações políticas, sociais e culturais diversas; se reveste de um pensamento neoliberalizante para atender a sanha de comando e controle de uma classe dominante conservadora, patrimonialista, fundamentalista e despolitizada que até então, não se conformou com o processo de mudança real que tem favorecido aos setores mais excluídos da nação. Neste contexto, a palavra mudança assume uma inflexão degenerativa do seu verdadeiro sentido e objeto, e deseduca a base social em disputa, ficando fácil para os interlocutores deste pensamento introduzi-lo no processo eleitoral em curso como forma de imprimir novos conceitos na busca de simpatizantes não menos despolitizados.

A mudança que se propõe através dessa nova política está desassociada da força do poder coercitivo das massas, pois se consolidou numa simples conveniência para o momento eleitoral, dando destaque para alguns personagens que aparecem prometendo mudar aquilo que não conseguem romper nem consigo mesmas.

As mudanças desejadas, justas e necessárias são muito mais que as expressões de afago dos adeptos da nova política ao inconformismo e ao denuncismo e devem está constituídas de conhecimento de causa para abraçar causas que, para entendê-las é preciso vivenciá-las, cotidianamente e, ter coragem de assumi-las incondicionalmente.

Muitos e muitas que prometem esta NOVA POLÍTICA, mal definida e de moda, nunca tiveram condições de se fazer representar, surgem de circunstâncias momentâneas, no vazio da onda, exatamente porque de povo entendem quase nada, de política, somente o que convêm e de mudança, o que seus marqueteiros mandam repetir.

Então, não é essa NOVA POLÍTICA que vai mudar o Brasil, mas sim a participação política direta do cidadão brasileiro que, de forma democrática e atuante deve exercer seu papel transformador, questionador, coletivo e organizado. O resto é discurso pra tentar ganhar eleição!

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