terça-feira, 7 de outubro de 2014

POR QUE SÃO PAULO DISCRIMINA O NORDESTE?

O modelo político-republicano-capitalista do Estado brasileiro traz na sua origem uma relação de poder contraditória, que se sustenta sob as regras do chamado Estado Democrático de Direito. Entre teses e argumentos que buscam justificar a vigência deste modelo, prevalece a retórica liberal das garantias das liberdades individuais e coletivas, no que, mediante aos fatos e as relações históricas vividas e observadas, é possível enxergar as ambiguidades que buscam justificar a insuficiência de tal realidade.

A partir das superestruturas erguidas dentro desse Estado conservador, concebido nos ápices de um pensamento que funciona mediante os interesses da secular classe dominante aqui existente e resistente, o Brasil como nação ainda não consolidou seu projeto de democracia inclusiva e popular, onde o povo seja o principal sujeito e artífice determinante dos fatos políticos e sociais que rompam com uma estrutura de poder tão bem engendrada por uma reacionária elite burguesa.

As elites brasileiras nunca aceitaram nem permitiram serem desbancadas do poder. Desde o processo de independência, passando pela abolição do trabalho escravo, pela Proclamação da República, e pelos processos de redemocratização, elas sempre mantiveram seus privilégios e suas práticas de dominação e apropriação da máquina pública para seu enriquecimento ilícito e domínio do Estado, das suas leis, instituições e dos bens e serviços funcionando para seus benefícios. Um dos canais desta relação tem sido a corrupção, associada à violência consubstanciada pela exploração da classe trabalhadora e da exclusão do povo das decisões, promovida pelo caráter autoritário dos governos que se constituíram a partir da formação de um regime de matriz patriarcal, oligarca-personalista, patrimonialista e machista, sustentado sob um sistema capitalista tardio, mas não menos concentrador da riqueza produzida pelo conjunto geral da classe trabalhadora e da sociedade.

Em meio a todo esse processo de dominação, o estado de São Paulo na região Sudeste do país se consolidou como protagonista de um processo de dominação econômica e de um determinismo histórico que visa condicionar o país ao controle e estabelecimento de seu pensamento único, desenvolvimentista, ultra direitista e explorador, voltado para a manutenção do poder de suas elites. Nesse confronto, tem sido o Nordeste o principal alvo da exploração e retaliação dos interesses nacionais que dividem a linha de pensamento do que é o Brasil e o papel regional, econômico, cultural e social dos seus territórios.

A discriminação cultural e de classe social nada velada que São Paulo impõe aos estados do Norte não é vazia, faz parte de um mecanismo de manipulação e controle do poder nacional que visa intensificar a concentração da riqueza produzida as custas da exploração da classe trabalhadora, do controle político e das instituições.

Fonte: Cartilha – De quem é o poder no Brasil?
Autor: Antônio Neves – 2010.

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