quinta-feira, 23 de outubro de 2014

MÍDIA FRUSTRADA COM O SEU ÓDIO VIRANDO CONTRA O FEITICEIRO

Por Maria Frô

Ainda na minha adolescência, eu filha de baiana que sou, via colegas usando o termo “baiano” como xingamento em São Paulo: “fulano seu baiano, fazendo baianada!” No Rio, o sinônimo para o  mesmo preconceito era ‘paraíba’.

Lula, um pernambucano, migrante, metalúrgico foi eleito em 2003 e este preconceito se acirrou como também cresceu a reação a ele por parte dos nordestinos que com orgulho de seu pertencimento passaram a não admitir serem detratados. Com a eleição de Dilma, em 2010, tivemos o Ministério Público finalmente reagindo e o caso exemplar de Mayra Petruso. Este ano, novamente, no primeiro turno, a expressiva votação de Dilma no Nordeste fez até FHC escorregar no preconceito.

Mas nestas eleições outro fenômeno se destacou para além dos preconceitos de classe, regionais, de gênero, de raça: o ódio da direita que se sente ameaçada em seus privilégios com a ampliação da cidadania a milhões de brasileiros. Este ódio foi canalizado ao PT, o partido que governa o país desde 2003 e fez profundas mudanças no que diz respeito à inclusão de uma parcela imensa da população brasileira sempre alijada, sempre esperando o bolo crescer para se alimentar. Só que antes dos petistas governarem o Brasil, esse bolo crescia, era servido na festa, e aquela população sempre apartada nunca recebia convite para prová-lo.

É um pouco sobre os promotores deste ódio irracional e os mecanismos utilizados para explorá-lo que o  professor Sidney Chalhoub há alguns dias escreveu. Em carta aberta aos jovens, ele fala sobre a corrupção histórica, elemento fundante do Estado Brasileiro, mas que a mídia calhorda, que instiga este ódio contra o PT, insiste em atribuir  a paternidade da corrupção exatamente ao governo que mais a combateu neste país.

Esta mídia que desinforma os descerebrados que bradam seu ódio na rede e nas ruas por desconhecimento ou por defesa de seus interesses de classe dominante, numa hipocrisia sem fim agora se espanta que seu candidato mal educado e desrespeitoso perca votos exatamente entre a turma que sempre plantou o trigo, fez a farinha, criou as galinhas, selecionou os ovos, bateu e assou o bolo e nunca experimentou uma fatia quando o dono da festa eram os tucanos. 

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