sexta-feira, 17 de outubro de 2014

EXCESSO DE TECNOLOGIA GERA FALTA DE ATENÇÃO E INSENSIBILIDADE

O estudo não confirma se a dificuldade para entender emoções está diretamente ligada ao uso de equipamentos eletrônicos.

Uma questão parece certa: crianças que passam mais tempo em contato com outras têm mais facilidade para interpretar expressões faciais e gestos do que aquelas que gastam muitas horas em frente às telas.

Sérgio Senna, doutor em psicologia e professor do Instituto Brasileiro de Linguagem Corporal (Ibralc), explica que o mundo virtual estimula a criança a fazer várias atividades ao mesmo tempo e isso leva à perda de atenção. Assim, quando a criança conversa com amigos, ouve músicas e vê vídeos simultaneamente pela internet, ela tem mais dificuldade para perceber o que está ao seu redor. A falta de atenção provocada pela tecnologia também pode afetar os adultos.

“O uso excessivo de qualquer meio de comunicação (tanto o seu conteúdo como os aparelhos) influencia negativamente na percepção das pessoas, sejam jovens, sejam adultos. Isso acontece com a televisão ou com as redes sociais. O grande problema é o desequilíbrio e a falta de autonomia no uso desses meios”, afirma Senna.

Para o especialista, o exagero no uso das tecnologias está prejudicando a compreensão da comunicação não verbal, aquela que envolve a linguagem do corpo, como gestos e expressões faciais. “De certa forma, a linguagem corporal é como se fosse uma linguagem primitiva, básica, que todos nós entendemos. Ela comunica de forma muito especial as nossas emoções básicas: medo, surpresa, alegria, raiva, tristeza e aversão. Podem ocorrer prejuízos ao diminuirmos nossa capacidade de perceber emoções tão importantes”, diz.

Quem fica o dia inteiro em frente às telas tem menos tempo para fazer contatos reais com outras pessoas. Esse comportamento pode explicar a perda de sensibilidade para compreender a linguagem corporal e facial, segundo o psicólogo e neuropsicólogo Fábio Roesler. “Com o excesso de tecnologia, o contato corpo a corpo, frente a frente, humano, é extremamente menor do que antes”, justifica.

Roesler alerta que a falta de habilidade para identificar a linguagem corporal pode prejudicar laços sociais, principalmente com pessoas mais próximas. “Se não notamos como o outro está, que reações provocamos e como outros fatores interagem com as pessoas, perdemos um pouco do nosso próprio senso de realidade e estabilidade social”, acrescenta.

Mas, afinal, qual é a solução para manter a capacidade de interpretar a linguagem corporal sem deixar de usar celulares, computadores e tablets? Para os especialistas ouvidos pela Folha Universal, o primeiro passo é saber administrar o tempo gasto com a tecnologia. 

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