terça-feira, 23 de setembro de 2014

SOCIEDADE BRASILEIRA ESTÁ DIVIDIDA ENTRE A DIREITA E A ESQUERDA

Em 2013, uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha indagou os brasileiros sobre uma série de questões envolvendo concepções políticas e sociais. O resultado mostrou que, de forma geral, a população se divide de maneira igualitária entre a direita (39%, sendo 10% de direita, e os demais 29%, de centro-direita) e esquerda (41%, sendo 10% de esquerda, e 31% de centro-esquerda).

Quando o assunto é economia, a maior fatia fica à esquerda (46%, considerando 21% de esquerda, e outros 25% de centro-esquerda), enquanto a direita abrange 26% (8% de direita, e 18%, de centro-direita), e o centro abriga 27%. Ao tratar somente de temas comportamentais ligados a valores, os segmentos da população com mais afinidades com a direita (49%, sendo 12% de direita, e 37%, de centro-direita) ultrapassam os mais ligados à esquerda (29%, sendo 4% afinados com a esquerda, e 25%, com a centro-esquerda), e o centro ganha espaço (22%).

O levantamento ouviu a opinião de quase 5 mil pessoas em cerca de 194 municípios, acerca de assuntos como crença em Deus, homossexualidade, pobreza, uso de drogas, criminalidade e posse de armas. Os posicionamentos defendidos pelos entrevistados mostram que a sociedade brasileira ainda mantém opiniões conservadoras a respeito de muitos temas considerados polêmicos no cenário nacional.

E é nesse nicho que os partidos de direita têm apostado para conseguir alavancar votos e eleger seus representantes. O professor Adriano Codato, do Departamento de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), chama a atenção para uma parcela de alguns desses grupos que, embora seja “eleitoralmente irrelevante”, tem visibilidade nas redes sociais, nos fóruns de discussão e é alimentada pela grande imprensa por conta de suas notícias e opiniões.

A grande contradição, segundo Codato, está em determinados candidatos defenderem, ao mesmo tempo, o liberalismo econômico, mas se oporem frontalmente a alguns valores individuais. E, para ele, essa é também uma concepção que muda de acordo com a classe social. “À medida em que as pessoas melhoram de vida, elas tendem a ser mais conservadoras, justamente para não arriscar perder o status conquistado”, afirma.

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