segunda-feira, 22 de setembro de 2014

POLÍTICA: NEGÓCIO DE FAMÍLIA

Câmara Federal é disputada por 98 parentes de políticos;

Se as manifestações de junho de 2013 sinalizaram uma insatisfação generalizada com a classe política, em clara demonstração de anseio popular por mudanças, o cardápio de candidatos nas eleições deste ano pode frustrar algumas expectativas. Levantamento obtido com exclusividade pelo Congresso em Foco revela que 98 candidatos a uma vaga na Câmara são parentes de políticos dos mais variados calibres, partidos e regiões do país. Produzido pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o trabalho mostra que, entre as 27 unidades da Federação, apenas o Espírito Santo não tem candidatos nessa situação. Em tempos de contestação da “velha política”, a lista (confira abaixo) é um banho de água fria no eleitor.

Um dos casos mais notórios da lista é o de Joaquim Roriz Neto, filho da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) e pela primeira vez na disputa eleitoral. Em 2010, ameaçado pela Lei da Ficha Limpa, Roriz deu lugar à esposa, Weslian Roriz, que acabou perdendo a eleição para Agnelo Queiroz (PT). Já Jaqueline, também enquadrada na legislação, chegou a sofrer processo de cassação de mandato na Câmara, por seu envolvimento no chamado mensalão do DEM, mas foi absolvida pelos pares.

Há também o caso de Luiz Argôlo (SD-BA), que tenta a reeleição em meio a um processo de perda de mandato na Câmara aberto em 15 de maio. Irmão de Manoelito Júnior, ex-prefeito de Cardeal da Silva, e do ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia e deputado estadual Marcelo Nilo (PDT), Argôlo ganhou os holofotes do noticiário nacional devido ao envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso desde março sob acusação de operar um esquema bilionário de corrupção na Petrobras.

Outro caso curioso é o do deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), que tenta a reeleição. Primo do ex-governador de Alagoas e também postulante a uma vaga na Câmara, Ronaldo Lessa (PDT), Maurício foi um dos parlamentares que, como o Congresso em Foco mostrou em maio de 2010, votou pelo adiamento da votação do projeto de lei que deu origem à legislação da ficha limpa. Mas, depois da repercussão do assunto em nível nacional e da pressão popular em favor do projeto, o parlamentar votou pela sua aprovação.

Também estão no grupo dos parentes, entre outros, o deputado Arthur Lira (PP-AP), que tenta a reeleição e é filho do senador Benedito de Lira (PP-AL); Arthur Bisneto (PSDB), que tenta uma vaga na Câmara por Manaus e é filho do prefeito da capital amazonense, Arthur Virgílio (PSDB); Sarney Filho (PV-MA), que tenta a reeleição e, como diz seu nome, é filho do senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-MA), e irmão da atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney; e a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR-RJ), que busca um lugar que hoje é ocupado pelo pai, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PR-RJ), candidato a mais um mandato no Palácio Guanabara.

Portal JH

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