quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O EFEITO MARINA SILVA?

Embriagada pelos delírios da direita, Marina flerta com os donos do poder

Por Antônio Neves
Professor e ativista sindical

A presidenciável, ex-senadora e ex-ministra Marina Silva é um instrumento eleitoral fácil de traduzir. Nada de fenômeno, nada de novo. Tão pouco uma enviada de Dom Sebastião – O Rei Salvador - Ela é apenas, nada mais que um subproduto de uma política oportunista e de apelo popular imediatista de baixa consciência, criada pelas circunstâncias do jogo da disputa e pelas suas próprias contradições.

Dissidente do partido dos Trabalhadores, por discordar das políticas aplicadas pelo governo Lula (2002 a 2010) quando a mesma foi Ministra do Meio Ambiente, Marina saiu do PT fazendo um discurso barulhento contra o agronegócio, contra o Código Florestal e contra a política econômica adotada pelo governo Lula.

De lá para cá, a mesma concorreu à presidência em 2010 pelo PV, partido que deixou de lado logo após as eleições e tentou criar uma Rede Sustentabilidade, que não se sustentou por falta de competência da mesma em não conseguir cumprir os rigorosos trâmites burocráticos exigidos pela Justiça Eleitoral para se criar um partido que ela não chama de partido, mas de Rede; uma tática para introduzir no seu discurso, os argumentos doutrinários de uma nova política que ela agora defende como peça fundamentalista para vender ilusões.

O discurso da nova política elaborado por Marina está estruturado sobre a negação, não de tudo o que já foi feito na política e nos governos brasileiros nos seus 125 anos de República, mas apenas nos últimos 12 anos do governo do PT, a quem a ex-ministra adotou como bode expiatório para construir sofismas eleitorais para ganhar eleição apoiada no clamor vazio das mudanças.

Os conflitos criados pelo seu programa de governo denuncia exatamente a ausência de projeto, resultado do seu pensamento, politicamente deformado. O agronegócio e a matriz da política econômica ditada por ruralistas, banqueiros e pelo capital estrangeiro deixaram de serem pontos da sua crítica e ataques, e passaram a ser a mola mestra para lhe garantir a governabilidade, caso seja eleita, através de seus representantes e intensões mais sombrias.

Pouco a pouco, Marina vem se revelando sob o pensamento de que: mais dia menos dia, todas as máscaras caem e se traem, e na política eleitoral, máscara nenhuma se sustenta, e a dela já não encontra mais rostos para cobrir. A cada detalhe das suas intenções de governar o Brasil e com quem, ela se autodenuncia como alguém que está fora da órbita e do contexto do que a nação realmente precisa, e isso, não tem nada a ver com mudança nem nova política, mas puro pragmatismo, grupismo e crimes lesa pátria previamente anunciados.

Não há nada de novo no perfil político e no discurso e promessas de Marina. Beneficiada pela tragédia, não é difícil de percebê-la como um instrumento da velha política que enxergou nela a possibilidade de retornar ao poder central pela via da permissão eleitoral, sufragada pela “vontade” popular. As mudanças por ela defendidas, que já chega deformada no debate, jamais serão possíveis, porque o novo prometido por ela já se diluiu nos mais retrógrados dos pensamentos dominantes da velha política dos coronéis, empresários e banqueiros sonegadores de impostos, reacionários fundamentalistas e líderes religiosos enganadores do povo humilde que esperam, apenas, o momento certo para dá o golpe da serpente e levar o país ao retrocesso dos avanços sociais e direitos conquistados nos últimos anos.

Marina é um subproduto da velha política, uma farsa maquiada de solução, uma serena imagem com fins de tragédia e, como tal, não será com seu personalismo tacanho de expressão messiânica, típico dos pretensiosos salvadores da pátria, que ela fará do Brasil um país melhor.

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