segunda-feira, 8 de setembro de 2014

NÃO DESISTO DO BRASIL, MAS TAMBÉM NÃO ENTRO EM AVENTURAS

Por Antônio Neves
Cidadão brasileiro

Sou brasileiro e não desisto nunca, mesmo com meu país ainda sendo tão desigual e precisando rever tantas injustiças cometidas contra o povo ao longo da sua história

Sou brasileiro e conheço bem a trajetória das lutas da nossa gente e o preço que pagamos por todas as conquistas obtidas até aqui, e sei que a história, mesmo tendo sido contada ao longo dos séculos pela elite dominante que insiste em manter a nação ajoelhada aos pés dos seus interesses mais imorais, em favor de um poder parasita, precisa ser recontada, e o povo deve se apropriar desta história para contestar suas verdades. A verdadeira história e desafios do Brasil não passa no Jornal Nacional nem se ler na Veja, canais de correspondência das poderosas forças exploradoras e criminosas que se sustentam sobre o poder da manipulação dos fatos para promover a desinformação.

Em momentos eleitorais de grandes disputas, como no caso da Presidência da República, a história se repete e a velha e corroída elite sempre nos apresenta candidatos ou candidatas que assumem o perfil de salvador da pátria e recebem o apoio das forças dominantes, passando a ser apresentado ao povo como a opção da honra, da ética e da resignação patriótica.

Olhando a história política brasileira veremos que os pactos de conciliação pelo controle do poder vêm muito antes de sermos uma República. A Independência do Brasil, celebrada pelo português Dom Pedro de Alcântara, que logo depois foi alçado a Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, foi à primeira aventura política em torno de alguém que assumiu a condição de salvador da pátria.

O marechal Deodoro da Fonseca, artífice do golpe político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889 que instaurou a forma republicana federativa presidencialista de governo no Brasil, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do Império, deixou sua marca aventureira no compasso da história política nacional, constituiu um governo sem povo e sem projeto de nação. O que as forças conservadoras da época precisavam era somente que o marechal presidente garantisse os privilégios daqueles que lhe deram sustentação e apoio. A República já nascia tutelada.

A República seguiu seus passos, concebida sobre um modelo econômico concentrador de riqueza, regida sob as receitas da política do café com leite, subjugada pelo poder da aristocracia rural que dominava a terra e ditava as regras do poder, o resultado foram séculos de proliferação da pobreza, exclusão social, violência de Estado, ditaduras e repressão contra o povo e os trabalhadores da cidade e do campo. Nesse cenário surgiram os próceres da salvação, da moral não corrompida, da ética da vassoura abrindo parênteses para aventureiros como Jânio Quadros que, eleito presidente com o discurso radical da mudança, demonstrou no poder sua incapacidade de governar abrindo caminhos para 25 anos de Ditadura, afastando cada vez mais o povo das decisões.

Mas a venda de ilusões não parou por ai, o pós-ditadura nos trouxe outro aventureiro, que prometia um Brasil Novo, um país livre de corrupção, que caçaria marajás e colocaria o Brasil no rumo do desenvolvimento, seria aquele que resgataria a alto estima dos brasileiros, adotando uma nova política de governar. A Rede Globo e as elites capitalistas fabricaram e elegeram o presidente Collor de Melo e este jogou o país em mais uma aventura e dela saímos machucados, mas seguimos em frente, não permitimos o retrocesso, não renunciamos a liberdade recém-conquistada, não desistimos do Brasil. Collor caiu pela força do povo.

Diante de tantas aventuras e promessas fáceis de governar, o povo brasileiro começou a entender que não serão presidentes aventureiros que vão fazer deste país uma grande nação. Somos um país continental, enorme na sua capacidade criativa, complexo na sua cultura e desafiante no seu projeto de desenvolvimento, então, por isso, como cidadão não posso me aventurar e sair por ai acreditando em mais uma salvadora da pátria, naquela que imagina ter sido predestinada por Deus, ungida pelo destino para cumprir a profecia sebastianista e fazer deste país uma teocracia neopentecostal à direita e governar sem projeto, sem povo e sem noção do que representa este momento para o povo brasileiro. Eis que ai surge Marina Silva, candidata a presidente com sua pequenez política, com seu discurso de coitadinha, vitimizada pela fé cega, criacionista de ilusões, querendo realizar seu sonho de menina, achando que a Presidência da República é uma casa de boneca onde devem caber suas fantasias.

Então, não vou desistir do Brasil, VOTO DILMA, VOTO 13, porque sei o que já conquistamos e o quanto poderemos ainda conquistar, sem me deixar alienar pelas aventuras de quem acha que o novo na política é o vazio de suas próprias ideias que a cada dia demonstra que já não são mais tão suas assim.

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