terça-feira, 16 de setembro de 2014

ESQUERDA VOLVER. O DESAFIO DO BRASIL

A voz das urnas e das ruas, pela terceira eleição presidencial consecutiva, manda um recado para a esquerda brasileira: ou avançamos nas mudanças políticas, econômicas e sociais necessárias ou sempre teremos que lidar com o fantasma da direita que assombra a Pátria Mãe Gentil

Por Antônio Neves*

  O ciclo histórico da esquerda brasileira surge com o século 20.  Pelos idos de 1922 nasce o Partido Comunista Brasileiro – PCB, daí por diante segue com os movimentos tenentistas na Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, a Revolução de 1924 e a Coluna Prestes. Em 1962 se dá a reorganização do PCdoB e de lá até aqui a política brasileira viveu o surgimento da esquerda operária com as lutas e grandes greves do ABC paulista no auge da Ditadura Militar, que projetou o metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva no cenário nacional, possibilitou a fundação do Partido dos Trabalhadores - PT, (que se tornou a maior referência político-partidária) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O fim dos Governos Militares e a redemocratização possibilitaram o surgimento de outras legendas partidárias de grande contribuição nos embates nacional: o trabalhismo de Leonel Brizola (PDT) e o socialismo de Miguel Arraes (PSB). No início dos anos de 1990 a democracia recém-nascida sofreu o solavanco do impeachment do presidente Collor e garantiu, dez anos depois, a eleição do primeiro operário e, posteriormente, da primeira mulher para governar o país.

  Durante esse processo, o combate à velha política e as práticas de dominação da direita elitista/conservadora governante foi o principal foco da resistência e organização dos partidos operários e das lideranças da esquerda nacional, através do fortalecimento dos ideais políticos que sustentariam os princípios fundamentais de uma proposta política de esquerda para acolher os sonhos de milhares de brasileiros: mais democracia, mais liberdade, mais participação social, mais igualdade, mais direitos. A isso tudo era possível chamar de mudanças. O que precisávamos era chegar ao poder, ou pela via revolucionária ou pela via institucional, prevaleceu à segunda opção.

  Por anos, a esquerda brasileira com seus intelectuais, lideranças de bases, sindicatos, movimentos sociais e apoiadores debateram e teceram suas críticas ao modelo de subdesenvolvimento da nação em disputa, contestando os sistemas econômico e social impostos pelas velhas e seculares forças políticas oligárquicas, ruralistas, coronelistas e empresariais, representantes da casa grande que se revezavam no poder. O discurso contestatório da esquerda partidária alimentou, ideologicamente, o discurso da esquerda social, sindical e popular, que fazia coro ao sonho de rompimento com as arcaicas estruturas de dominação para transformar o Brasil numa nação mais igual, soberana e mais democrática.

  O momento marcante deste ciclo foi à eleição do candidato Lula (PT), depois de três tentativas eleitorais, para a Presidência da República em 2002, porém, naquele momento, a esquerda começava a sair do seu ciclo de articulação ideológica, de base e social e dava sinais de que o sonho de mudanças começava a sofrer os abalos dos acordos e da renúncia programática que passava a acometer parte dos seus principais líderes que aderiram as deformações de uma relação de governo que não atenderia de forma mais ofensiva às demandas reivindicadas ao longo dos anos de lutas, onde a esquerda construiu seus referenciais e apoio popular em torno de uma pauta que sustentava a promessa de mudanças profundas como peça motriz para oferecer aos brasileiros um novo país. 

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