segunda-feira, 22 de setembro de 2014

ESPAÇOS DE PODER NÃO PASSA DE FEUDOS FAMILIARES

Segundo o analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Diap, a prática leva à transformação dos espaços de poder em feudos familiares. “Isso é muito ruim. Pela seguinte razão: por um lado, significa que não está havendo renovação de quadros – os partidos, os movimentos sociais não estão formando quadros e, por isso, fica aí esta transferência hereditária; e, de outro lado, muitos deles estão assumindo espaços de ‘ficha suja’, o que é profundamente lamentável”, observou Toninho do Diap, como é conhecido.

Ele se refere aos casos em que o postulante, barrado pela Lei da Ficha Limpa, coloca algum parente em seu lugar, como forma de manter influência política – como fez José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal que chegou a ser preso durante o escândalo do chamado mensalão do DEM, em 2009, para citar apenas um caso atual. Considerado inelegível por ter sido condenado em duas instâncias por improbidade administrativa, Arruda indicou sua esposa, Flávia Peres, como candidata a vice-governadora na chapa agora encabeçada por Jofran Frejat (PR).

Toninho do Diap lembra que, por se restringir ao âmbito da Câmara, o levantamento dá apenas uma ideia do quão vasto é o universo de parentes disputando os mais variados cargos eletivos Brasil afora.“Tem [candidatos parentes] para os governos, para vice-governador, assembleias estaduais, tem muita disputa. Esse levantamento deve ser uns 10% de amostragem. E esses são apenas os mais competitivos. Então, é uma enxurrada de parentes que, talvez, não tenha havido no passado algo tão significativo”, disse o especialista, para quem uma “reforma cultural” em nível partidário, antes mesmo que uma reforma política, pode mudar o cenário.

Para Toninho, partidos devem recrutar quadros mais voltados para a própria ideologia partidária, e não apenas para ajudar na matemática de arrecadação de recursos do fundo partidário. Ou garimpar espaço em propagandas de rádio e televisão – ambos os benefícios eleitorais são calculados sobre o número de votos que cada legenda conseguiu para a Câmara.

“Os partidos têm atraído pessoas que nada têm a ver com sua ideologia. Mas, como são puxadores de voto, ajudam a melhorar o fundo partidário e o tempo de televisão”, lamentou.

Fonte: Portal JH

Nenhum comentário:

Postar um comentário