sexta-feira, 26 de setembro de 2014

ELEIÇÕES: AS CONTRADIÇÕES DOS CANDIDATOS DA TERRA

Sem maiores novidades, a campanha eleitoral está chegando ao fim e com ela, muitos candidatos depois de meses correndo atrás do voto, já começam a deixar claro para que vieram...

Candidat@s da terra: vícios, pragmatismo eleitoral e mesmice... Nada de novo! 

Por Antônio Neves

A campanha eleitoral de 2014 teve um elemento novo e nunca visto nos anos anteriores. Neste ano o apelo popular foi tímido e de baixa participação em comícios, passeatas, carreatas e outras atividades que, sempre serviu de parâmetro para envolver o eleitor e definir a vitória desses ou daquele candidato(a). O fato é que o eleitor, por “N” motivos, começa a dar sinais de cansaço das velhas fórmulas de fazer campanha eleitoral que, desgastadas, já não convencem mais. Nas ruas, praças e guetos, tem sido grande o esforço de alguns candidatos mais populares em reunir plateia para ouvir os discursos de sempre.

Em Caicó, cidade que já serviu de palanque para as mais tradicionais disputas eleitorais, principalmente na época do radicalismo político, o marasmo também é sentido, não só pela população acostumada a grandes passeatas e comícios dos seus tradicionais partidos, mas também ao confronto entre as cores das bandeiras que, agora, em nome dos acordões e outras negociatas já não existem mais, lideranças e candidatos de maior porte dizem terem celebrado a chamada “paz política”.

Na maior cidade polo da região do Seridó, os três principais candidatos e candidata a deputado(a) estadual (cadeira que tem a maior disputa local) seguem rigorosamente a cartilha da mesmice e do discurso vazio, sem nada de objetivamente novo a apresentar. Nem mesmo a nova política da candidata Franciele Lopes (PPS) conseguiu romper com o tradicionalismo eleitoreiro e apresentar algo que não seja somente, verborragia ensaiada para conquistar votos dos eleitores que veem na sua candidatura uma possibilidade de algo novo em meio às velharias de sempre. Puro pragmatismo eleitoral.

A candidata Franciele Lopes é o rosto bonito da contradição, até agora não disse quem está financiando sua bem estruturada campanha e apresenta aos seridoenses como candidato a deputado federal, ninguém menos que Rogério Marinho (PSDB), um forasteiro ultraconservador, membro da extrema direita potiguar, aliado de figuras como José Agripino (DEM) e Henrique Alves (PMDB) - (ou será que eles são o que ela chama do novo na política?). Rogério não tem vínculo nenhum com a região do Seridó e ainda é aliado de banqueiros e latifundiários do agronegócio; pergunto: onde está o novo proclamado pela candidata Franciele Lopes em meio às velhas posturas eleitorais que ela pratica sem nenhum constrangimento? O novo pra ela é uma questão de ideias, princípios e rupturas ou apenas de conveniências pelo poder?

Se por um lado à nova política defendida pela candidata Franciele Lopes é puro clichê temperado com um bom marketing de laboratório surfando na onda Marina Silva, por outro, a velha e ultrapassada política dos candidatos: Vivaldo Costa (Pros), Nelter Queiroz e Álvaro Dias (PMDB), demonstram o quanto estamos distantes de construirmos uma possibilidade de representação política a altura dos reais e permanentes problemas que se perpetuam na nossa cidade e região. Eles estão ai há mais de 40 anos, suas práticas são montadas em cima de posturas políticas tão esdrúxulas que eles não têm mais o que dizer ao eleitor, mas ainda vêm à praça pública disputar votos, cada qual querendo mostrar quem faz mais pela região com seus assistencialismos hospitalares e favores governamentais, isso tudo, resultado do secular atraso e pobreza que ainda é possível ver e sentir na vida cotidiana de um povo que ainda vive sob os rituais dos currais eleitorais onde estes senhores são seus legítimos representantes.

No meio ao vazio que estas candidaturas representam; o eleitor, muitos, ainda se deixa enganar e envolver por tais comportamentos, concedendo-lhes mais quatro anos de mandatos e poder, sem exigir deles nenhum compromisso maior para com as verdadeiras causas e necessidades que Caicó e o Seridó precisam para sair da estagnação, da alienação e da subserviência que eles mesmos construíram.

No contraponto do debate aparece o argumento do voto de protesto, ai entra em cena o candidato Cição – o “Bandido” -, mas esta já é outra história!

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