segunda-feira, 29 de setembro de 2014

DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA

O financiamento privado é responsável em grande medida pela composição conservadora do Congresso Nacional e talvez seja hoje a principal fonte de corrupção política, pois transforma a organização de uma contabilidade paralela e ilegal (o Caixa 2 das campanhas) numa necessidade para todos os partidos políticos que a ele recorrem. Por isto, o projeto de iniciativa popular proíbe o financiamento privado, amplia o financiamento público e admite contribuições individuais no valor máximo de R$ 700,00.

A direita neoliberal, que representa os interesses dos grandes capitalistas, compreensivelmente é radicalmente contra a reforma democrática advogada pela coalizão de forças progressistas e a proibição das doações empresariais, alegando que isto vai resultar no aumento dos gastos públicos. A conduta dos grandes meios de comunicação reflete a conspiração silenciosa da classe dominante contra a demanda popular por democratização do sistema político e eleitoral do país.

Não é a primeira nem será a última vez que isto ocorre. Foi assim na campanha das Diretas Já, boicotada até a última hora. Mais recentemente os mesmos interesses obscuros motivaram o silêncio midiático frente ao parecer de 19 ministros do TST sobre a generalização da terceirização. Manifestações organizadas pelos movimentos sociais são solenemente ignoradas ou abordadas de forma hostil com o objetivo de desmoralizar suas lideranças ou incompatibilizá-las com a população.

Tudo isto sugere a necessidade de outra reforma, a reforma da mídia. É indispensável democratizar os meios de comunicação, combater os monopólios e fortalecer a mídia pública em detrimento da privada, financiar os veículos progressistas, ligados aos movimentos sociais e comprometida com a classe trabalhadora.

Umberto Martins é jornalista, assessor político da Presidência da CTB e colaborador do Portal Vermelho

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