quarta-feira, 10 de setembro de 2014

COMO NOSSOS HÁBITOS PODEM IMPACTAR GERAÇÕES

Estilo de vida desregrado pode ter consequências na sua saúde e na de seus descendentes

Por Rê Campbell
na  Folha Universal edição 1170

As consequências dos maus hábitos podem se estender por várias gerações. É o que mostra um estudo da University of Adelaide, da Austrália. Após uma década de pesquisas, os estudiosos concluíram que a obesidade e outros problemas relacionados ao estilo de vida dos pais podem ser transmitidos aos futuros filhos. Ou seja, bebês gerados por pais que se alimentam mal fumam e consomem álcool já pode nascer “pré-programado” para uma vida com problemas de saúde.

Isso acontece porque fatores externos, como alimentação, poluição e estresse, modificam o funcionamento do corpo dos pais. Essas mudanças ficam guardadas na memória dos genes e são armazenadas tanto no óvulo da mãe quanto no espermatozoide do pai. Em resumo: pais com hábitos ruins acabam levando seus genes a funcionar de maneira pior e esse funcionamento ruim é transmitido aos filhos. Da mesma forma, os genes de pais que mantiveram hábitos saudáveis funcionam de forma melhor – e é esse bom desempenho que será passado aos futuros filhos.

“Quanto antes à prevenção de doenças acontecerem, melhor. E isso ocorre já no útero, pois tudo o que a mãe come e tudo o que a mãe faz gera uma programação no corpo do filho. Há estudos que apontam que filhos de pais e mães que passaram por traumas têm mais chances de desenvolver problemas como depressão”, diz o oncogeneticista José Claudio Casali, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.


Veja como suas escolhas afetam seu futuro

Embora o estilo de vida dos pais possa interferir na saúde dos filhos, Casali garante que a herança genética não é uma sentença. “Cada um escolhe a doença que vai ter no futuro. Muitas doenças que conhecemos são resultado de uma mistura de fatores genéticos, ambientais e das escolhas que cada pessoa faz diariamente”, alerta Casali, que também é professor de Medicina da PUC-Paraná e chefe do serviço de Oncogenética do Hospital Erasto Gaertner.

Má alimentação, estresse, excesso de medicamentos, cigarro e álcool, por exemplo, podem estimular ou acelerar o aparecimento de doenças. Já uma dieta balanceada, associada ao controle da ansiedade e do peso, pode reduzir o risco de enfermidades mesmo quando o histórico familiar é desfavorável.

Prevenção, o melhor remédio

O cardiologista Carlos Alberto Machado, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), alerta que as condições para o surgimento de muitas doenças crônicas começam a se formar de maneira silenciosa no organismo. “No início, as pessoas não têm sintomas e acham que não precisam se cuidar. Tudo começa com a alimentação inadequada e a falta de atividade física, que levam à obesidade e ao sedentarismo. É importante saber que, mais do que viver mais tempo, é fundamental ter qualidade de vida”, diz.

Machado aconselha que a prevenção de doenças deve começar ainda na infância. Segundo ele, as crianças devem ser incentivadas a fazer exercícios físicos e a comer frutas, verduras, legumes e alimentos com fibras. “O brasileiro está comendo muito produto industrializado, muita comida gordurosa, tomando muito refrigerante, ninguém sai para caminhar e ainda tem o problema do estresse. Se não mudarmos isso agora, vamos ter uma população de idosos muito doentes”, ressalta. Machado ainda acrescenta que todo adulto deveria fazer pelo menos 30 minutos de atividade física por dia, cinco vezes por semana, conforme a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O sedentarismo provoca um círculo vicioso que só piora a saúde. “Quem não faz exercício ganha peso, cria resistência à insulina, tem aumento do colesterol e de placas de gordura nas artérias, sobrecarrega as articulações e perde massa muscular. O sedentarismo pode provocar doenças cardiovasculares a partir dos 30 anos de idade”, finaliza.

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