terça-feira, 30 de setembro de 2014

1. MERCOSUL E INTEGRAÇÃO DO CONTINENTE

DILMA ROUSSEFF: A integração regional aparece como prioridade da política externa da atual presidente, que busca, na cooperação Sul-Sul, “uma ordem mundial multipolar e menos assimétrica”. “Durante séculos, os países da América do Sul estavam de costas uns para os outros, com os olhos voltados para a Europa e para os EUA. Essa realidade começou a mudar. Passos importantes foram dados nos planos econômico, comercial, político e de segurança com o fortalecimento do Mercosul e a criação da Unasul”, disse à Revista Política Externa.

Para Dilma, a integração tem que avançar em outros planos. “O Mercosul nunca se propôs a ser apenas uma área de livre comércio (...). Sempre insistimos em que, para que ela seja consolidada, é fundamental que haja uma integração entre os povos, inclusive com a criação de uma cidadania comum, como se deu no caso da União Europeia”, aponta.

MARINA SILVA: A candidata do PSB (Partido Socialista Brasileiro) aposta no combate à suposta estagnação do Mercosul, reforçando a necessidade de investir em negociações com outros países. “O Mercosul não tem cumprido bem o desígnio original de constituir uma modalidade de ’regionalismo aberto’”, escreve em seu programa de governo.

Marina Silva propõe uma política de aproximação do Mercosul com a Aliança do Pacífico e também destaca a necessidade de acelerar as negociações para o tratado de associação entre o bloco e a União Europeia. Para a candidata, a construção de infraestrutura para internacionalizar a economia brasileira deve ter “receptividade e apoio à cooperação empresarial”. Para além do caráter econômico, a presidenciável acredita que a integração continental deve também se expandir para questões socioambientais e culturais.

AÉCIO NEVES: Sobre esta temática, o candidato classifica que, nos quatro anos de administração de Dilma, a política exterior foi caracterizada pela “timidez” e por “afinidades político-ideológicas”. Aos olhos de Aécio, o que é fundamental é que o país “participe ativamente da comunidade internacional, negociando com todos continentes”, diz à Revista Política Externa.

Para Aécio, é necessária, em primeiro lugar, uma análise do próprio Mercosul, que, segundo ele, “passa por uma crise de identidade, inibida por crises de países importantes como Argentina e Venezuela”. Essa condição, sustenta o candidato, sugere dificuldades de interação com outros grupos de países, contrariando a “tendência mundial”.

“É preciso um reexame urgente do processo de integração, para recalibrá-lo e readaptá-lo. Não se trata de desfigurar o Mercosul, mas de fortalecê-lo para de novo torná-lo apto a engajar-se em negociações efetivas com outros parceiros e prepará-lo para maior abertura comercial”, argumenta. Na última semana, Aécio também defendeu a revisão das relações bilaterais do Brasil com países sul-americanos produtores de drogas, como Bolívia e Colômbia.

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