sábado, 30 de agosto de 2014

PATRÍCIA MOREIRA, A COR DO PRECONCEITO

Por Antônio Neves

... Mas ainda há tempo para mudar

Olho piedosamente para o rosto congelado desta jovem diante seu comportamento diluído pelo preconceito, racismo, intolerância e violência psíquica emocional que a levou a proferir insultos racistas a alguém que nada tem a ver com o seu desequilíbrio pessoal.

Vejo no seu olhar e na estupidez de suas palavras jogadas ao vento em um estádio de futebol, contra alguém que ela julga inferior apenas pela diferença da cor da pele, as expressões desesperadas da ignorância de quem, ainda tão jovem, não conseguiu aprender, não por falta de oportunidades, mas pelo próprio descaso que sua casta social representa, que o sentimento de humanidade tão necessário para construir uma vida harmoniosa precisa ser um exercício diário de comunhão com todos e com tudo que vive e habita este planeta.

Antes de a jogarmos as feras da intolerância e do linchamento coletivo, pelo seu ato estúpido e politicamente incorreto, precisamos avalia-la como alguém que, possivelmente, cresceu num mundo particular pequeno e alienado demais para compreender atitudes como igualdade, liberdade, paz e solidariedade, coisas estas que, talvez, ela mesma reivindique voluntariosamente nos seus espaços de manifestações, mas sem entender a dimensão do que isso tudo representa e exige. Com certeza, ela não é a única adepta a infelicidade do preconceito de cor, de classe e de gênero.

A atitude infeliz desta garota só nos mostra que ainda vivemos num mundo infectado por comportamentos e atitudes que só promovem a degradação moral da própria humanidade e confunde os valores mais saudáveis das perspectivas de uma civilização que, antes mesmo de completar o seu processo civilizatório, caminha rapidamente para a barbárie, motivada por conflitos e interesses que envergonham a natureza humana em todas as suas formas.

Pelo seu ato vergonhoso, pequeno, mal educado e medíocre, tenhamos por ela, não o ódio dos infelizes, nem o sentimento de vingança dos desesperados e intolerantes, mas a insistência dos justos que buscam construir um mundo mais solidário, sem preconceitos, sem violências, sem ódio ou perseguições de raças, etnias, opções religiosas, sexuais ou qualquer outra orientação.

Outro mundo é possível. Com todas as suas cores e sonhos!

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