quarta-feira, 20 de agosto de 2014

CARTA ABERTA AOS PROFESSORES(AS), ALUNOS E PAIS DA REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE ENSINO DE CAICÓ


Por Antônio Neves
Professor da rede municipal de ensino, sindicalista e cidadão caicoense.

Caríssimos professores(as), alunos, comunidade escolar e sociedade caicoense

  Os últimos acontecimentos e debates realizados em Caicó, pelas autoridades municipais e outros organismos educacionais, institucionais e sociais de nossa cidade, em torno das dificuldades por que passam as escolas e o ensino públicos deste o nível fundamental até o superior estadual em consequência do sucateamento de suas estruturas físicas e funcionais tem trazido à tona uma realidade há tempos anunciada e por este mesmo período, negligenciada.

  Nos últimos doze anos, por diversas vezes e por vários mecanismos, os prefeitos e gestores da educação pública municipal, tanto quanto o Ministério Público, parlamentares, Igrejas, meios de comunicação, instituições e a sociedade em geral vêm sendo explicitamente comunicados da gradativa falência estrutural e funcional do Sistema Municipal de Ensino de Caicó, e por esta situação, não foram poucas as vezes que professores, trabalhadores em educação, alunos e movimentos sociais articulados, tiveram que decretar greves, protestos, denúncias públicas e reivindicações várias na corrida contra o tempo para evitar que ocorresse, exatamente, o que estamos vivenciando hoje, escolas municipais do ensino infantil e fundamental chegaram ao seu limite e não conseguem mais dá suporte ao atendimento da demanda escolar, deixando os filhos e filhas dos trabalhadores e trabalhadoras da nossa cidade que rogam pelo direito a uma escola pública gratuita e de qualidade, a mercê da desestruturação e do sucateamento do seu sistema escolar de ensino.

  O caos anunciado por anos e não menos negligenciado pelo desinteresse e descaso dos prefeitos do passado e do presente, revela um fato que se desnuda com o desinteligente debate que se faz em torno da doação de um terreno público para instalação ou de uma escola municipal que pede socorro para continuar funcionando, ou para uma universidade estadual que clama para continuar existindo, mas o fato que se dá, pela lógica das discussões nada republicanas que se fez em torno desta questão, é que a escola pública no município de Caicó, independente do seu grau de ensino, continua sendo tratada como se não existisse ou não tivesse importância nenhuma aos olhos das responsabilidades dos sucessivos governos, que veem com indiferença as dimensões de um sistema de ensino que deveria funcionar dignamente em todos os seus níveis para atender um princípio constitucional e humano que favoreça a educação como meio para promover o desenvolvimento intelectual, cultural e social da população.

  As discussões feitas até o momento em torno destas questões exigem reflexões profundas e um debate público mais coerente, transparente e em nada, tendencioso. Professores e trabalhadores em educação do município de Caicó precisam compreender as deficiências e interesses políticos, administrativos e até eleitorais que se escondem por trás das manobras e omissões que levam a atual gestão municipal e seus aliados nos diversos espaços políticos da cidade a, até então, não ter nenhum projeto de governo viável para buscar resolver, em médio prazo, os problemas que só se acumulam no âmbito do sucateamento das escolas públicas do nosso município e, com isso, apresentar soluções concretas que atendam aos direitos mais elementares de crianças, jovens e adultos que reivindicam a oportunidade de estudar num ambiente escolar acolhedor e de boa qualidade, e de seus professores(as) que, pela crise instalada, não conseguem dá o melhor de si como profissionais qualificados que são.

  O debate até aqui, limitou-se, timidamente, em torno da questão da doação de terreno público para um ou outro nível de ensino, o que empobrece as compreensões que se precisa ter sobre a gravidade do problema da educação pública em Caicó e seus desdobramentos. Tal comportamento colabora apenas com os interesses corporativos e comerciais dos sistemas privados da educação, corroborando como pano de fundo para omitir inúmeras evidências da manipulação de fatos, perdas de investimentos e irresponsabilidades administrativas dos governos do estado e municipal que somente favorece a visão privatista do ensino para atender a ganância do mercantilismo educacional que a cada dia ganha força em todo o país, na intensão de desqualificar a importância e necessidade da boa manutenção e oferta dos serviços públicos e gratuitos essenciais, principalmente os oferecidos na educação, saúde e segurança.

  Digníssimos Professores e Professoras, alunos, pais, homens e mulheres conscientes de Caicó, chegou a hora de mais uma vez reagirmos com a força e a coragem que já fizemos tantas vezes e reacendermos na população o sentimento coletivo em defesa da escola pública e de qualidade, insistindo nas reivindicações que a cada ano e a cada governo é jogada pra debaixo do tapete como se os problemas ai acumulados e nós, profissionais do ensino e da escola pública, fôssemos invisíveis aos olhos daqueles que precisam apresentar soluções urgentemente.

  O sucateamento do ensino público e a omissão governamental se constituem num perigo explícito para a consolidação das transformações sociais que o Brasil precisa e que passa inquestionavelmente pela valorização, investimentos, defesa e avanços da educação e da escola públicas; do ensino infantil ao ensino superior.

Caicó-RN 20 de agosto de 2014                                          

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