quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ARTIGO: O SILÊNCIO DO ELEITOR

por Dodora Guedes
do Novo Jornal

Nas campanhas políticas, majoritários e/ou proporcionais, a pressa, a sofreguidão, a angústia, o atropelo, enfim, o clima eletrizante que costuma marcar tais eventos está a todo vapor. Nos comitês eleitorais, para alguém desavisado que chega às portas e espia, a euforia dá o tom. É clima de Copa do Mundo, como costuma se definir tais situações por aqui e alhures. E nas ruas, onde o eleitor comum continua cumprindo suas tarefas cotidianas – casa, trabalho, diversão? Já aí o clima é outro.

Desminta-me quem puder: o eleitor está guardando um silêncio ensurdecedor e manifestando um completo e preocupante alheamento. Os candidatos fingem que empolgam e os eleitores fingem que estão prestando atenção e que se animam com alguma coisa. As pesquisas eleitorais estão mostrando claramente essa falta de entusiasmo do eleitor. Nunca menos de 40 por cento deles confessam para os pesquisadores, enigmaticamente baixinho, como se no confessionário estivessem, que não escolheram ainda seus candidatos.

Se nas campanhas majoritárias esses índices já são altos, em relação à eleição proporcional o distanciamento do eleitor é ainda mais gritante. O desinteresse fica evidenciando em tudo. Faltando pouco mais de 45 dias para o dia em que iremos às urnas para escolhermos importantíssimos representantes - presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual –, além das pesquisas mostrarem que o eleitor sequer sabe em quem vai votar e nem está preocupado com isso – a meu ver, aí é que mora o perigo! –, a maioria silenciosa assiste a tudo com olho crítico, e cético, ignorando chamados para manifestações promovidas por candidatos, ainda que seja para debates que deveriam ajudar a decidir quem são os melhores.

Basta olhar o número de carros adesivados por candidatos desfilando pelas ruas para ver que há um evidente alheamento coletivo. Como diz um amigo meu, “as ruas estão querendo dizer alguma coisa”. E, decerto, não deve ser boa coisa. Em qualquer roda de prosa, basta puxar o assunto que o rosário de justificativas do eleitor comum seja desfiado: político é tudo igual, não tem palavra, portanto não cumpre nunca, as muitas promessas feitas durante as campanhas, e é corrupto.

Como em tudo na vida, a generalização é perigosa e burra. Os políticos obviamente não são iguais, e cabe a nós, eleitores, sabermos diferenciar o joio do trigo, escolhendo os melhores, aqueles que, efetivamente, têm palavra, são fiéis e leais aos seus compromissos e não são corruptos - sim, há muita gente que não faz da política meio de vida e de enriquecimento; pessoas que, efetivamente, colocam o interesse público acima do interesse do interesse pessoal.

Difícil de achar? Sim, se nós continuarmos a querer assumir a postura de um caramujo, nos enroscando no nosso próprio desinteresse. Não parar para analisar e escolher nossos candidatos criteriosamente, votar nulo ou votar branco só beneficia quem não quer mudar o status quo.

A tendência, nesses casos, é que os maus vençam, derrotando os que se atrevem a enfrentar os tubarões da política, aqueles que praticamente se perpetuam no poder, à custa do poderio econômico e político. O silêncio, portanto, não é bem a melhor resposta do eleitor aos maus políticos.

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