domingo, 24 de agosto de 2014

A NOVA POLÍTICA, AS MUDANÇAS E A CONTRADIÇÃO DO DISCURSO.

Por Antônio Neves

Duas coisas soam falso nestas eleições: os candidatos que prometem uma nova política como alternativa ao que já envelheceu e os candidatos que prometem mudanças sem renunciar aos vícios do Sistema. As contradições que estas retóricas proporcionam se dão quando a intensão é só e unicamente, o jogo pela disputa do poder

Os candidatos e o discurso da nova política surgem como contraponto ao vazio que o modelo tradicional da política brasileira esta promovendo a cada dia. Porém, não consigo visualizar o novo nas velhas práticas que ainda se faz representar no perfil dos candidatos(as) que surgem se dizendo alternativas ao que não funciona mais na forma arcaica de fazer.

Tenho visto candidatos e candidatas pelas ruas da cidade prometendo uma nova política, abraçados, contudo, com as velhas e tradicionais práticas e figuras de, não só fazer a política, mas de também estarem aliados ao que há de mais antiquado na fórmula e conteúdo das estruturas de poder.

Associado ao discurso do novo está o da mudança. Mudar o que afinal? Quando o que percebemos é a inexperiência sendo maquiada pelo sofismo de um discurso fácil, de rostinhos bonitos de príncipes e princesas que querem nos fazer crer que o caminho do novo se faz somente com abraços, um sorriso no rosto e apertos de mãos. Nenhuma proposta, por mais rudimentar que seja, aponta para possibilidades de esta nova política ser a protagonista das mudanças prometidas, quando ela alimenta nada mais que o velho e arcaico Sistema que aprisiona qualquer possibilidade de mudança real no seio da sociedade política em movimento.

Sem dúvida, algo precisa ser feito na política brasileira. As ideias do passado são como roupas velhas que não nos servem mais, mas o que está em jogo não é a moda eleitoral, que a cada eleição faz surgir rostos novos com suas promessas requentadas, clichês que ganham ressonância e amparo na ignorância do eleitorado que, muitas vezes, dias após as eleições, já têm esquecido em quem votou, como se a disputa do poder fosse apenas pelo voto.

A contradição do discurso está exatamente ai. 70% de tudo o que é dito pelos adeptos da nova política e seus correspondentes, com suas linguagens fabricadas pelo marketing e outras correias de transmissões não passa de linguagem fabricada para embelezar a retórica da mudança que, muitos, não sabem sequer por onde começar, talvez porque, depois das eleições, retornam para suas vidinhas medíocres, nos seus gabinetes refrigerados, contando vil metais. Esquecem-se das promessas que fizeram e do povo que abraçaram. Passam a chocar o ócio dos parasitas que só pensam política de quatro em quatro anos, enquanto que a vida e a verdadeira política desfilam pelas ruas, guetos e quintais na vida cotidiana de inúmeras pessoas e atores sociais que lutam e constroem a mobilidade das ações que alguns imaginam só ser necessárias em tempos de eleições.

A nova política já nasce viciada pelas contradições do Sistema dominante que, inclusive, não pretende confrontar, mas sim, se adequar, garantir seus espaços institucionais em nome das mudanças que acreditam promover aliançados com o que, agora, dizem combater para mudar.

Para se locomover dentro do Sistema, os adeptos da nova política tiveram que associarem-se às velhas retóricas do passado, sustentam bandeiras de lutas que muitos não representam e, muito cedo já se tornaram profissionais do tradicionalismo eleitoral, que usam de candidaturas inorgânicas e outros apetrechos para vender imagens distorcidas ao povo, talvez, para estes, o novo seja isso, a ausência de mobilidade e capacidade de compreender o conjunto da sociedade que fazem parte e os elementos de suas estruturas em disputa para promover a verdadeira política todos os dias.

O que muito desses atores não compreendem, e dai surgem suas contradições, é que o novo só surgirá nas mudanças que forem possíveis fazer no seio da base social, e não no alto dos palanques que escondem o velho no discurso saturado de quem promete o novo como mudança meramente eleitoral.

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