segunda-feira, 19 de maio de 2014

SÃO JOSÉ LEITE SANTANA, O SANTO JARARACA


Jararaca, cangaceiro do bando de Lampião foi martirizado pela polícia e enterrado vivo na cova que ele mesmo foi obrigado a cavar - virou santo popular - é a síntese da resistência, pois une em si o messianismo e o cangaço! No tribunal popular da história os coronéis foram os derrotados

 
Túmulo do cangaceiro Jararaca - Santo de cemitério

texto de  Valdecy Alves

O povo tem a chave das portas do paraíso, além de ser o poder originário nos países democráticos. Só santifica quem quer, numa espécie de democracia celestial. Assim, os oprimidos do povo, as vítimas da opressão e das injustiças, os mártires, acabam sendo santificados, cultuados, obrando seus milagres e paradoxos acontecem.

No nordeste do Brasil, em que o messianismo e o cangaço foram formas de resistência aos coronéis feudais, o cangaceiro Jararaca (FOTO), do bando de Lampião, sintetiza em si as duas formas de enfrentamento. Tinha tal nome por ser muito impulsivo e brutal, mas capturado pela polícia, após o bando tentar invadir Mossoró, em junho de 1927, acabou por ser levado ao cemitério, obrigado a cavar sua própria cova e foi enterrado vivo. Tal martírio levou o povo a santificá-lo.

Os coronéis venceram Lampião, mas o museu é do cangaço, do contrário ninguém iria ao museu dos coronéis, e o herói, santo e martirizado foi o cangaceiro - Jararaca. No final, o oprimido pelo poder, também é membro do povo. O povo que tem o poder coletivo, dono do imaginário popular, santificou quem quis e os coronéis perderam a guerra. É a justiça que se faz pelo julgamento do tribunal da história. Os cangaceiros, heróis no imaginário popular são os vencedores.

Uma mensagem para os que abusam do poder terem mais cuidado e descobrirem que não são tão poderosos assim!

Nenhum comentário:

Postar um comentário