terça-feira, 6 de maio de 2014

RACISMO NO TRABALHO

O mercado de trabalho brasileiro expressa, entre outros aspectos, o resultado do processo histórico que conformou esta sociedade. Nele persistem situações discriminatórias sobre segmentos específicos da população, dentre os quais os negros têm lugar destacado, apesar das transformações ocorridas em direção a uma maior democratização social.

O negro tem salário menor por possuir menos escolaridade. Esse é um mito que por muito tempo tentou encobrir o preconceito existente nas empresas. Recente estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostra que quanto maior a escolaridade, maior é a diferença salarial entre negros e não negros.

O estudo Os Negros no Trabalho comprovou que, entre 2011 e 2012, com o aumento dos anos de estudo, cresce a diferença salarial entre negros e não negros. Na indústria de transformação, a desigualdade de rendimento por hora entre negros e brancos era de 18,4% no ensino fundamental incompleto e 40,1% para as pessoas com ensino superior completo. Já no setor do comércio, os índices ficaram em 19,7% para os que não completaram o fundamental e 39,1% para aqueles com diploma universitário. Na construção civil, onde a presença de negros é muito maior do que a de brancos, a diferença salarial registrada foi de 15,6% sem fundamental completo e 24,4% para quem já saiu da universidade.

Também ficou comprovado que os trabalhadores negros têm menos escolaridade. Entre 2011 e 2012, 27,3% entre os negros ocupados não tinham ensino fundamental completo e somente 11,8% contavam com diploma universitário. Já na parcela dos não negros, os índices eram 17,8% e 23,4% respectivamente. 

Outro dado fundamental refere-se à diferença salarial entre negros e brancos. Já entre as sete regiões metropolitanas pesquisadas, Salvador com a maior população negra do país,  apresentou a maior diferença, os negros recebem 40,14% a menos do que os brancos, seguida por São Paulo com 38,95% e em último lugar vem Fortaleza, onde os negros ganham 24,34% a menos. 

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