segunda-feira, 5 de maio de 2014

POLÍTICA SALARIAL GERA MAIS EMPREGOS NO INTERIOR DO BRASIL

O interior do Brasil ultrapassou as áreas metropolitanas e criou mais empregos com carteira assinada em 2013. As grandes cidades lideravam a abertura de postos formais no país desde 2005, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Interior passa capitais na criação de empregos pela primeira vez em oito anos. Interior passa capitais na criação de empregos pela primeira vez em oito anos. Os números do Caged revelam que o interior de nove estados (Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) foi responsável pela abertura de 340.881 postos formais na série sem ajuste, enquanto as áreas metropolitanas empregaram 211.190 pessoas. Apesar de o levantamento não abranger todo o país, a representatividade desses estados é expressiva. Juntos, foram responsáveis por 552.071 empregos formais, de um total de 730.687 criados no Brasil em 2013.

A vitória do interior também ocorre na análise da série ajustada de 2013. Nesse recorte, o interior criou 465.542 empregos, e as áreas metropolitanas, 331.229 postos. A série sem ajuste é a preferida pelo governo e engloba as informações enviadas pelas empresas sobre admissões e desligamentos para o governo dentro do prazo estabelecido.

A análise detalhada dos números da série sem ajuste do emprego formais feita pela LCA Consultores mostra que, dos cinco grandes setores empregadores da economia, quatro tiveram melhor desempenho no interior: indústria, construção, comércio e serviços. A exceção foi a agricultura, mas o desempenho ruim pode ser explicado pela baixa participação das grandes cidades nesse setor.

Um forte fator que contribuiu para a superioridade do interior no ano passado é a política de reajuste real do salário mínimo. Cidades menores costumam depender mais do mínimo para manter a economia local aquecida. Em 2013, a alta real foi de 2,7%, acima do 1,8% do ganho real do trabalhador médio do Brasil apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O salário mínimo também é um indexador de quem é beneficiário do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Dois terços dos previdenciários têm o salário ligado ao mínimo, o que beneficia em boa medida o interior", diz Fabio Romão, economista da LCA. "Em várias cidades do Nordeste e Norte faz muita diferença ter um beneficiário do INSS no domicílio. Ele continua contribuindo com a família, inclusive para o sustento até dos netos."

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