terça-feira, 6 de maio de 2014

O RACISMO NA VIDA, NO TRABALHO E A LUTA DIÁRIA PARA COMBATÊ-LO


Os textos abaixo é um diagnóstico sobre a realidade do racismo e seus preconceitos no Brasil

por: Maria Júlia Reis Nogueira
Secretária de Combate ao Racismo da CUT Nacional

O Brasil concentra a maior população afrodescendente fora da África e, mesmo assim, negro continua sendo o maior alvo da violência e sofrendo a maior desigualdade no mercado de trabalho. Apesar de serem mais da metade da população brasileira, os negros estão sub representados e invisíveis.

Convivemos com a desigualdade entre negros e brancos e muitos pensam que é fruto somente de um problema social, não do preconceito. Isso legitima que o preconceito se mostre em nosso cotidiano. A teoria da igualdade racial em nosso país é desmentida por casos de racismo que ocorrem todos os dias. O nosso racismo é institucional, alimentado diariamente por estereótipos, gracejos e piadas preconceituosas, é uma herança escravocrata que determina qual é o lugar do preto. 

Nos últimos meses, o racismo tem se manifestado, por exemplo, no futebol, a paixão nacional. Mesmo existindo vários jogadores negros que jogam muito bem e trazem vitórias ao seu time e à seleção brasileira, não é incomum ver casos de racismo dentro e fora de campo. Foi o que aconteceu em casos recentes como os jogadores Tinga do Cruzeiro, Arouca do Santos, e o árbitro da Federação Gaúcha de Futebol Márcio Chagas da Silva. Fora de campo, ao invés de reconhecimento do crime e apoio aos profissionais do futebol, tivemos a triste notícia de que Luis Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira de futebol, argumentou que o melhor caminho é ignorar as pessoas que praticam atos preconceituosos no esporte, pois, se ninguém ligar, as pessoas esquecem.

Mas não é só no futebol que atitudes racistas têm sido evidenciadas. Em fevereiro, dois casos em Brasília chamaram a atenção. No primeiro, uma cobradora foi chamada de negra ordinária e preta safada por uma passageira que até agora não foi identificada. No segundo, uma australiana cometeu crime de racismo contra uma manicure em um salão de beleza. Ela chegou a ser presa, mas foi solta logo depois. 

No Rio de Janeiro, o ator Vinícius Romão de Souza foi erroneamente reconhecido por uma vítima de roubo e foi preso.  O ator chegou a ficar 16 dias na Casa de Detenção Patrícia Acioli,  em São Gonçalo, e só foi solto depois de campanhas nas redes sociais e a retirada da queixa por parte da vítima.

Durante o carnaval na Bahia foram registradas 765 denúncias de discriminação racial na cidade que é considerada a mais negra fora do continente africano.

A discriminação de pretos e pardos, para muitos uma queixa já ultrapassada, está arraigada em nosso comportamento e perpassa as esferas públicas e privada, do aspecto mais social ao mais íntimo de cada um de nós. Nosso racismo se ampara no ideal do branqueamento, que guiou a miscigenação brasileira. Somos muito menos a democracia racial, concebida por Gilberto Freyre, e muito mais a demagogia racista, que presenciamos no cotidiano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário