segunda-feira, 5 de maio de 2014

IMPACTO DO SALÁRIO MÍNIMO É SENTIDO NO INTERIOR COM MAIS FORÇA

É justamente o impacto do mínimo, aumentando o poder de consumo, que pode explicar o bom desempenho da indústria no interior – o setor criou 61.097 empregos formais em 2013 na série sem ajuste, acima dos 27.079 abertos em 2012. Nas áreas metropolitanas, houve retração de 163 nos postos.

O interior concentra boa parte da indústria voltada para a produção de bens não duráveis, setor mais resiliente à variação de renda, mas também mais impactado pelo reajuste do mínimo. No ano passado, por exemplo, a indústria de alimentos e bebidas contratou 21.268 empregados no interior e 13.240 em áreas metropolitanas.

O setor de construção também ajudou a impulsionar o interior dos estados. O programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida 2 beneficia brasileiros com menor renda, cuja maioria está no interior. Além disso, o boom do setor começou nas áreas metropolitanas e a desaceleração, ao longo dos últimos anos, atinge naturalmente essas regiões primeiro.

A desaceleração das áreas metropolitanas não foi apenas apontada pelo Caged. Embora não apure somente o emprego com carteira de trabalho, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada mensalmente pelo IBGE e concentrada em seis regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio, São Paulo e Porto Alegre), apontou em 2013 uma desaceleração no ano passado da população ocupada nesses locais. A alta foi de apenas 0,7% em relação a 2012, para 23,116 milhões de pessoas – a menor variação já registrada pela pesquisa em toda a série histórica.

"Desde o ano passado, a região metropolitana mostra um nível de contratação mais baixo", diz Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Na avaliação do pesquisador, um dos fatores que pode estar limitando a criação mais forte de emprego nas áreas metropolitanas é o desempenho mais fraco do consumo. Dessa forma, grandes setores empregadores, como serviços e comércio, estão sendo afetados e abrindo menos postos.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário