terça-feira, 22 de abril de 2014

SOMOS REALMENTE COMO A FIFA NOS DESCREVE?


Manual lançado pela federação internacional para explicar o Brasil e os brasileiros gerou polêmica

.Por Amanda Aron

Não é todo mundo que é aberto a críticas. Uma página da última edição da revista virtual da Fifa, chamada “The Fifa Weekly”, precisou ser substituída às pressas depois de ter gerado polêmica nas redes sociais. O motivo? A página 19 trazia um manual explicando para estrangeiros como se comportavam os brasileiros. Intitulado “Brazil for begginers” (“Brasil para iniciantes”), o guia, em linguagem crítica e por vezes irônica, trazia dicas para que turistas possam evitar mal-entendidos ou constrangimentos.

Ressaltando algumas características que fazem parte do “jeitinho brasileiro”, como não respeitar filas e deixar tudo para a última hora, o manual foi encarado como ofensivo pela população. Para não gerar um mal-estar diplomático semanas antes da Copa do Mundo, a Fifa optou por retirar o conteúdo do ar.

Mas, afinal, a Fifa está realmente errada em seu julgamento? Não costumamos chegar atrasados aos nossos compromissos? Não conversamos nos tocando ou sempre nos cumprimentamos com beijos? (com um quem é de São Paulo e dois quem é do Rio de Janeiro e segue variando, de acordo com o estado em que a pessoa vive). Não temos um trânsito caótico e violento que tira vidas diariamente?

Além do manual, a linha de camisetas inspiradas pela Copa do Mundo produzida pela Adidas também foi mal recebida pelos brasileiros. Uma delas tem a frase “I love Brazil”, com a palavra “love” (amor) desenhada como um coração com formato de nádegas vestindo um biquíni “fio dental”. Outra estampa mostra uma mulher com curvas acentuadas e o Pão de Açúcar ao fundo e traz os dizeres: “Looking to score”, um jogo de palavras que não tem tradução exata para o português, mas que pode significar “marcar gols” ou “ficar com garotas”.

Ambas já foram retiradas das vitrines. No entanto, serviram para mostrar como ainda, infelizmente, é estereotipada a imagem da brasileira, mesmo que tenhamos uma mulher no cargo mais importante do País, a Presidência da República. Proibir a venda das camisetas é pouco e apenas tapa o sol com uma peneira. Enquanto ainda formos conhecidos como o paraíso da prostituição, sobretudo da infantil, e não fortalecermos nossas leis de combate ao tráfico e de assédio às mulheres, os estrangeiros ainda terão essa triste imagem que relaciona a mulher brasileira ao prazer e à diversão.

Com os olhos do mundo voltados para cá, com a economia emergente e o destaque que ganhamos muito além do futebol e do samba, está mais do que na hora de olharmos para o próprio umbigo e nos reconhecermos como um país em ascensão política e econômica. E isso significa enxergar e admitir os próprios defeitos. Esse é o primeiro passo para evoluirmos como nação, já passou da hora do Brasil se tornar o país do futuro. Mas, para isso, é preciso mudar e muito. O que podemos aprender com as críticas?

Na Folha Universal

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