sábado, 12 de abril de 2014

SIMPLESMENTE POESIA!

VOU-ME EMBORA
Antônio Neves


Vou-me embora para o oco do mundo
Lá terei mais liberdade,
Longe das guerras e da modernidade
Serei bem mais que um vira mundo.

Vou-me embora, não deixo saudades,
Deixo apenas sonhos imperfeitos
Vou para além das velhas paragens
Longe de tudo que pensei ser verdade.

Vou-me embora, mas não sei se chego,
Na terra prometida de amores encantados
No rumo da luta, não olho para trás,
Lutar é preciso. No chão há cicatrizes.

Quando eu chegar, na terra, sem norte,
No recanto aonde a vida se revelará,
Mando notícias cheias de estórias
Quem sabe você venha me encontrar.

Vou-me embora, vou-me embora...
Só não ti levo, porque sei que não vais.
O mundo é grande e te causa medo,
Mas se vieres comigo, tudo será paz.

Vou-me embora para longe
O destino me deu coragem.
Parado na beira da estrada
Ficam apenas os que não acreditam.

Vou-me embora desfazer horizontes
Telas verdejantes colorirão meu olhar
Sem teto, sem terra, na minha frente apressada,
Somente a vida a me desafiar.

Quando eu me for de vez, sorria!
Não precisas de lágrimas no seu olhar
Oculte a tristeza da despedida,
Despida de noite, vestida de mar.

Quando lá eu tiver chegado
E as certezas não forem mais ilusões
O que ficar de fora desse mundo apertado,
Caberá em nós dois, e depois, multidões.

Vou-me embora, pela milésima vez.
Se volto? Não sei. Que dirá o amanhã?
O que direi a ti, tão longe?
O amor espera nas lembranças!

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