quarta-feira, 16 de abril de 2014

PARA ONDE DESEJA IR MARINA SILVA?


Rebelada pela ideia de construção de uma nova política e aliada aos velhos que patrocinam a velha política, Marina Silva sai da condição de protagonista e segue a linha de coadjuvante de um arcabouço político arcaico e sem nada de novo a apresentar, a não ser confusas intenções

Eduardo Campos e Marina lançam candidatura prometendo ‘nova política’

A coligação PSB-Rede-PPS-PPL colocou fim às especulações, na última segunda (14), ao confirmar Eduardo Campos e Marina Silva como candidatos a presidência da república e a vice, respectivamente. Durante o “ato político-cultural” de lançamento, no Hotel Nacional, em Brasília, ambos reiteraram que o que os une é um compromisso programático, embora do programa, ainda em construção, muito pouco tenha sido, de fato, esclarecido.

Campos criticou duramente a política econômica da presidenta Dilma sem explicar como fará diferente, apesar da insistência da imprensa. Também afirmou que irá aumentar a busca ativa de beneficiários do Bolsa Família. Só não esclareceu como. Reafirmou sua intenção de reduzir o número de ministérios pela metade. Porém, apertado pelos jornalistas, não deixou claro se os cortes serão feitos na área social, como se cogita.

O candidato garantiu que não distribuirá cargos para amealhar apoio político e se comprometeu a deixar os partidos fisiologistas na oposição. Segundo ele, é passada a hora do país dar um basta nos partidos que amargam décadas no poder, em clara alusão ao PMDB. “Chegou a hora do Brasil pegar o fisiologismo, o patrimonialismo e a velha política e mandar para a oposição, porque, na oposição, eles não sobrevivem”, incitou.

Questionado pela imprensa se é possível governar o país sem coligações, saiu pela tangente. “Pode-se fazer pactuação pelo programa, e não por distribuição de cargos”. E quando encurralado a explicar melhor se as coligações que fez para se eleger governador se diferem das que Dilma firmou para se eleger presidente, insistiu no mantra. “Sim, porque foram feitas em cima de programas que foram cumpridos, tanto que fui reeleito com 83% dos votos”, afirmou.

Interrogado sobre como irá contornar as diferenças ideológicos do PSB e da Rede em relação à questão energética, em particular, precisou contar com a ajuda de Marina para sair da saia justa. “Nós fizemos um grande esforço e o que vai orientar a coligação é o que está no programa”, afirmou a pré-candidata, como se este já estivesse pronto e fosse de conhecimento público.

Campos tentou explicar como espera promover a transferência dos quase 20 milhões de votos obtidos por Marina na última eleição para a sua candidatura, que registra em média 8% das intenções, segundo as últimas pesquisas, enquanto ela, que portava 12% em outubro, depois que se uniu a ele só aglutina cerca de 7%.

Claro e cristalino, mesmo, só ficou a estratégia que pretende usar para se destacar na campanha: isolar o governo Dilma dos dois outros mandatos petistas, comandados pelo ex-presidente Lula, do qual tanto ele quanto Marina fizeram parte. “Mais do que um gerente, o Brasil precisa de uma liderança”, afirmou. E na coletiva à imprensa, tentou detalhar os motivos. “De 2010 para cá, o Brasil está andando de outra forma. Veja a política macroeconômica, as medidas de proteção ambiental”, justificou.

Por Najla Passos, da Carta Maior

Nenhum comentário:

Postar um comentário