terça-feira, 29 de abril de 2014

MACACO É A MÃE!

Por Professor Antônio Neves

O racismo hoje tão presente nos campos de futebol de vários países europeus trás a tona um sentimento dos tempos da tirania, onde era preciso subjugar o adversário para tentar diminuí-lo ante a incapacidade de vencê-lo.

  A Europa, pela sua tradição secular de construção do seu ideal Eurocentrista, descobriu novos mundos, institucionalizou e expandiu sua política, culturas e métodos de dominação em função de seus interesses e manutenção do status quo do poder dominante.

  Sob estas pretensões os europeus não escondem suas origens e, sob todas as culturas já impuseram, além da sua riqueza histórica, seu racismo, algumas vezes, até mesmo em nome de Deus. Quando chegaram as Américas e dominaram as culturas nativas, que eles denominaram indígenas e, em nome de suas crenças e tradições, construíram aquilo que eles chamaram de um “novo mundo”, contraditoriamente introduziram também uma marca que fazem questão de externalizar nos espaços da sua cultura contemporânea – o preconceito contra negros e raças - preservando seu conservadorismo secular, devidamente visível hoje em dia nos estádios de futebol, numa clara demonstração do seu racismo odioso e de classe, esnobe, sujo e inútil.

  Sem olhar para o próprio rabo, a velha e hoje, economicamente falida Europa, deu vida as ideologias totalitárias: o Facismo, o Nazismo, o Fraquismo, o revisionismo comunista, a Otan. Bem antes, deu vida as Cruzadas, a Santa Inquisição, e outras tantas guerras insanas que ceifaram vidas e selaram pactos em nome de Deus, de monarquias absolutistas guiadas por seus déspotas esclarecidos, consolidando os Estados Nacionais erguidos a ferro e fogo pelas forças expansionistas de Monarquias, Repúblicas, impérios econômicos e modelos de democracias que foram impostos para todo o mundo, principalmente para aqueles que estavam sob seu domínio.

  Do ocidente ao Oriente, as ciências, os mercados, a cultura e as artes estavam a serviço da alta burguesia dominante europeia, da nobreza e do alto clero, seja pelo uso da persuasão em pactos e acordos de toda ordem ou pelo uso da força (o principal vetor). Como no passado a Europa ainda se imagina o centro do universo e, por isso, se ver, cegamente, no direito de esnobar a quem não pensa igual a ela.

  Na contemporaneidade da sua trajetória a Europa deu vida, forma e poder a primatas como: Hitler (Alemanha), Mussolini (Itália), Franco (Espanha), Slobodan Milosevic (Sérvia) e tantos outros tiranos que sob o uso autoritário do poder promoveram as piores atrocidades contra etnias, povos, nações e tendências filosóficas e políticas das mais variadas ideologias, doutrinas e facções. Negros, Judeus, Mulheres, Ciganos, artistas e Imigrantes tiveram na Europa seu próprio direito a existência negado, violado e criminosamente violentado em campos de concentração, sob guerras genocidas em nome da superioridade de raças, da limpeza étnica, do nacionalismo alienante e disputas territoriais em nome dos interesses das nações europeias em disputas constantes.

  A arrogância europeia ainda é tão presente que resquícios desse tempo sombrio e vergonhoso imperam sob os restos da dignidade que sobrou num mundo onde muitos ainda se imaginam superiores. O racismo hoje tão presente nos estádios de futebol de vários países europeus trás a tona um sentimento dos tempos da tirania, onde era preciso subjugar o adversário para tentar diminuí-lo ante a incapacidade de vencê-lo.

  Diante a vergonha mundial estabelecida pelo retorno nada velado do racismo nos estádios de futebol da Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e outros países; falta a decadente Europa passar a limpo a leitura histórica do seu passado para se situar no futuro e perceber que, por seja lá qual for o motivo, sua arrogância racista vai na contramão da vontade da nova ordem humanista mundial. Talvez sejam os traumas do passado que os impossibilitam enxergar o presente de forma mais natural, ou até mesmo se reconhecerem nos tempos remotos da nossa origem onde o que se revela a todos os povos é que, com ou sem racismo, somos todos filhos do mesmo Macaco, ou será que eles já se esqueceram de onde viemos na linha evolutiva da existência humana?

  Ou seja: MACACO(a) É A MÃE!

Nenhum comentário:

Postar um comentário