segunda-feira, 28 de abril de 2014

ÁGUA, SE NÃO ECONOMIZAR VAI FALTAR


Você está esperando a água acabar para começar a economizar?

Por Marcelo Rangel na Folha Universal

“Daqui a dez ou 15 anos, quando começarem as guerras por causa da dificuldade de acesso à água e à comida, todos seremos levados a pensar: ‘Meu Deus, por que não fizemos mais naquela época (hoje)?’”

A frase acima não é uma ficção científica pessimista. Ela foi dita pelo presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, no início de abril deste ano.

O mundo está assustado com os níveis dos reservatórios de grandes cidades. No Brasil, onde tradicionalmente se pensa no Nordeste quando o assunto é seca, São Paulo, a maior cidade do País, enfrenta escassez histórica. O grande reservatório da Cantareira, um dos maiores do Brasil em área urbana, chegou a ter menos de 10% de sua capacidade no último verão – e não melhorou muito, com pouco mais de 12% verificados no início do outono. O governo estadual, que antes negava a probabilidade de racionamento, já pensa na hipótese. Até um projeto de coletar água do rio Paraíba do Sul, que também abastece Minas Gerais e Rio de Janeiro, foi revelado, o que levantou protestos dos dois estados vizinhos. Isso pode não ser a guerra que o presidente do Banco Mundial contempla num futuro bem próximo, mas as discussões inflamadas já começaram – e toda guerra começa com uma discordância.

A água que existe no planeta nunca aumentou de quantidade. É a mesma desde a Criação. Só que a população mundial aumenta vistosamente a cada século, já passando dos 7 bilhões. A Terra é composta por 70% de água, mas só pouco mais de 2% dela é doce, própria para consumo. Para piorar esses números, mais da metade da água tratada no mundo – nem todos têm acesso a ela – é desperdiçada desde sua coleta até chegar às torneiras dos imóveis. Defeitos nos encanamentos, mau uso e poluição prejudicam ainda mais o acesso.

Outra informação: 80% da energia elétrica consumida no Brasil é produzida com o uso da água, que movimenta as turbinas das usinas hidrelétricas. Quando a água é pouca até para beber e para a higiene, como a eletricidade seria produzida em grande escala? Ficar sem água tratada e sem luz não condiz com a imagem de um País em desenvolvimento, com quase 190 milhões de habitantes.

Em uma recente pesquisa veiculada por um jornal paulistano, mais da metade da população brasileira se disse favorável a uma intervenção governamental nacional para um racionamento no abastecimento de água. Pode parecer algo simples, mas a prática é utilizada em casos extremos, como guerras e catástrofes naturais.

E você? Onde se encaixa nessa história? Se ainda não percebeu, ela diz respeito diretamente a você e à sua família, ao modo como a água é utilizada em sua casa, seu trabalho e sua escola. Sem água, não vivemos. Por que, então, a desperdiçamos tanto?

Resumindo: você está esperando o governo decretar um racionamento, algo que está bem próximo de se tornar real, para começar a economizar? Poupar um recurso tão necessário à vida já deveria ser prática diária para qualquer população, seja ela com fartura de água ou não. Veja algumas dicas elaboradas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para economizar o líquido no dia a dia. São atitudes bem simples, mas que produzem grande resultado – inclusive na conta de água no fim do mês.

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