sexta-feira, 25 de novembro de 2016

HOMENS FEMINISTAS

Uma vez, fui criticada por um companheiro militante do movimento estudantil, pois no momento tinha comentado da possibilidade dos homens serem feministas. Seus argumentos eram de que, por mais que o homem seja um traidor de gênero, ele não é feminista, pois em menor ou maior grau ele perpetua o machismo, por mais que o seu debate evolua e por mais que o machismo afete também os homens. Estes no máximo, segundo sua concepção, podem ser pró-feministas, visto que cabe às mulheres se organizarem contra o machismo, pois estão no foco da opressão.

Por Thalita Martins
Com toda a certeza, somos nós, mulheres, as maiores e principais vítimas da cultura machista. Mas, como bem retratou o companheiro, não somos as únicas. Os homens também são seres oprimidos nesse processo. Imagine a impotência de um homem diante de um desemprego e tendo que suster sua família? É o homem, segundo o machismo, que tem que prover, sustentar, ser o viril, o "cabra macho", proteger sua família. Não é ao menos permitido a ele o direito de chorar e de falhar durante uma relação sexual, porque "homem que é homem não falha e nem chora". E é muito criticado quando exerce profissões que são "aptas" às mulheres, como o pedagogo infantil. Isso é o que chamamos de inversão do fenômeno. Assim como existem milhares de mulheres machistas, que são socializadas para manifestarem comportamentos dóceis, de completa sujeição ao homem e que não questionam a sua inferioridade em relação a estes, podem sim, existir homens feministas. Nisso quero dizer que não existe o quadro do homem perverso e da mulher vítima. Todos e todas somos oprimidos e opressores.
E daí porque eu vejo o machismo, não como sendo uma cultura imposta por homens, apesar de serem estes os que mais a perpetuam, mas sim uma ideologia sexista empregada pelo sistema capitalista, que reflete toda uma estrutura de poder, distribuída de forma desigual em relação às mulheres, e que prejudica toda a sociedade e suas relações. O sistema capitalista não é apenas um modelo econômico. É cultural também. O poder que uma pessoa exerce sobre a outra, a cultura "consumista" do ficar, pegar o/a outro/a são reflexos desse sistema.
O feminismo luta por outra forma de sociedade, mais igualitária, onde é fundamental que homens e mulheres sejam parceiros nessa construção, buscando a conscientização como forma de libertação e afirmação dos sujeitos. É pela aversão e inversão desses valores sociais impostos que poderemos evoluir, seja nas relações interpessoais, seja no movimento estudantil, seja na política partidária. Porque não há liberdade política sem liberdade sexual, assim como não há socialismo sem feminismo.
* Thalita Martins é estudante de Direito da Universidade Federal do Maranhão. Militante do Movimento Mudança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário