quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

QUANDO A ANSIEDADE FICA FORA DE CONTROLE

Alerta natural, que surge em situações em que o cérebro detecta perigo, a doença tira o sono, causa taquicardia e pode levar à depressão e ao pânico, se não for tratada
Por Rebeka Figueiredo
Frio na barriga, excitação e mãos suadas são sensações que a maioria das pessoas já experimentou em algum momento da vida. Elas fazem parte da ansiedade, um alerta natural que surge em situações de perigo (real ou imaginário) ou quando enfrentamos um desafio. No entanto, a ansiedade em excesso e com duração de vários meses pode ser perigosa, alertam especialistas ouvidos pela Folha Universal.
A preocupação exagerada com tarefas do cotidiano, por exemplo, é um indício do transtorno de ansiedade generalizada (TAG). “A pessoa com TAG é como um carro acelerado com o freio de mão puxado”, compara o psiquiatra Marcelo Basso de Sousa, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. “Ela é vigilante, fica aflita se vai ter dinheiro, se o filho vai chegar bem da escola e está sempre com os nervos à flor da pele.”
Estima-se que 3% a 5% da população mundial sofra com algum tipo de distúrbio ligado à ansiedade, como o transtorno obsessivo-compulsivo, a fobia social, a ansiedade generalizada e o transtorno de pânico. Segundo o especialista, o problema é mais comum em mulheres. A ansiedade generalizada leva o paciente a dormir e a acordar pensando em todas as atividades que precisa fazer, para que tudo saia como o planejado. Ela é acompanhada de estresse, tensão, insônia, sono leve, dores de cabeça e musculares, taquicardia e até perda de libido e dificuldade de relacionamento.
O psiquiatra Luiz Vicente Figueira de Mello, supervisor do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP, diz que muitos pacientes só procuram o médico quando têm outros problemas. “Como a pessoa vive estressada, é comum desenvolver pressão alta, gastrite ou diarreia.” O tratamento envolve psicoterapia cognitiva-comportamental com psicólogo ou psiquiatra e, em alguns casos, a utilização de medicamentos. Mello esclarece que a terapia é focada em estratégias para controlar ou diminuir a preocupação excessiva. Dormir bem e praticar atividade física diariamente também é fundamental. “O ansioso não respeita o horário para dormir. É necessário criar regras, ir para a cama sempre na mesma hora e escolher um local adequado”, ensina Mello. Exercícios aeróbicos como caminhada, ciclismo e natação ajudam a controlar a insônia. O psiquiatra Marcelo Basso de Sousa lembra que, se não for tratada, a ansiedade pode levar à depressão e a outras doenças. “A ansiedade é como uma febre, indica que algo está errado.”

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